Rechercher dans ce blog

Sunday, October 31, 2021

Cigarro eletrônico pode causar lesões graves no pulmão - Olhar Digital

O cigarro eletrônico é visto como uma alternativa ao uso de tabaco. No entanto, esses dispositivos não devem ser encarados como um produto inofensivo e podem causar sérias lesões no pulmão.

Em entrevista ao R7, o pneumologista Flávio Arbex, médico do ambulatório de doenças cardiorrespiratórias da Escola Paulista de Medicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), falou sobre o risco desses dispositivos, também conhecidos como vape.

publicidade

“A redução do cigarro comum por meio do eletrônico foi muito abordada pela própria indústria do tabaco, mas não vemos isso com bons olhos. Já existem relatos na literatura médica de pessoas jovens que ficaram com danos pulmonares agudos por causa do uso do cigarro eletrônico, inclusive com necessidade de transplante pulmonar”, afirma o especialista.

Ao contrário do que muita gente pensa, o cigarro eletrônico (ou vape) é proibido no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2019, justamente pelos danos causados por esses dispositivos à saúde. No entanto, entre os jovens, o produto virou moda.

Cigarro eletrônico virou moda

Mesmo as essências com sabores, um dos principais atrativos desses dispositivos, liberam algumas substâncias causadoras de doenças cardiovasculares. Até por conta disso, já existe uma doença chamada de lesão pulmonar associada ao cigarro eletrônico, evali na sigla em inglês.

Leia mais:

“É uma lesão aguda no pulmão. Não temos ideia do que o uso do cigarro eletrônico pode causar a longo prazo, porque é um uso relativamente recente. As pessoas acham que é uma troca simples quando deixa o cigarro convencional por esse [vape], mas não é. Pode ser que a longo prazo vejamos os danos e daqui a 30 anos estejamos pagando um preço por aceitar essa troca”, completou o médico.

Mesmo com a proibição, é fácil ver o vape sendo vendido nas redes sociais. O consumo do produto, em si, não é crime, apenas a comercialização. A Anvisa não recomenda que fumantes troquem o cigarro comum pelo eletrônico e nem que pessoas não fumantes consumam o produto.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal.

Adblock test (Why?)


Cigarro eletrônico pode causar lesões graves no pulmão - Olhar Digital
Read More

Pacientes sem vacinação completa são a maioria dos internados por Covid-19 em hospitais de ao menos cinco estados - Jornal O Globo

SÃO PAULO — Um levantamento realizado pelo GLOBO junto aos estados e capitais, somados ao Distrito Federal, mostrou que, em ao menos cinco estados, a cada dez hospitalizados por Covid-19, oito não haviam completado o esquema vacinal ou estavam totalmente desprotegidos. Capitais de outras três unidades da federação têm entre sete e nove pacientes sem imunização a cada dez internados.

Tendinite:  veja causas, sintomas e tratamentos

Os dados oferecidos pelos estados seguem diferentes métodos de análise: no Amazonas (onde 84,6% dos internados não tinham a imunização completa ou nem ao menos iniciada), os dados são do dia 19 de outubro. Já em Minas Gerais (85,1%), avalia-se todo o período até 26 de outubro. Na Paraíba (86,3%), também utilizam-se dados de todo o ano de 2021, assim como no Tocantins (85,7%). Já Pernambuco tem somente dados de julho (89,6%).

Há estados que registram médias ligeiramente inferiores: no Rio Grande do Norte, Maranhão, além do Distrito Federal, por volta de 60% não tinham iniciado ou concluído a vacinação.

Sem máscara:  O que pensam os médicos sobre as leis que flexibilizam o uso do acessório

Impacto dos não vacinados nas redes hospitalares Foto: Levantamento O GLOBO
Impacto dos não vacinados nas redes hospitalares Foto: Levantamento O GLOBO

Entre as capitais, a que indica maior relevância da vacinação entre os hospitalizados é o Rio de Janeiro: 94% dos internados atualmente na rede do município estão sem esquema vacinal completo ou nenhuma dose do imunizante. Já em Curitiba, 91% das internações até a terceira semana do mês ocorreram entre não imunizados. Em Cuiabá, entre setembro e outubro, 76% dos internados por Covid estavam sem vacinação. Enquanto em Recife 64,2% dos internados estavam sem registro de nenhuma dose ou tinham esquema vacinal incompleto.

Sarampoveja sintomas, causas e tratamento

Nos estados sem dados que relacionem internações e imunização, hospitais de referência indicam a influência da vacinação. No Moinhos de Vento, em Porto Alegre, 35% dos internados por Covid não tinham sido vacinados, ou não informaram. E 5% só tinham tomado uma dose. Os números mais baixos de não vacinados internados, em relação a outras regiões, lembram também que, apesar da redução expressiva no número de internações e óbitos com o avanço da vacinação, o imunizante não zera o risco de hospitalização. Idade e doenças preexistentes também devem ser considerados.

— A vacina reduz a incidência de formas graves. Porém, um percentual pequeno de pacientes, especialmente com comorbidades e idosos, pode necessitar internação — diz a intensivista Juçara Gasparetto Maccari, gerente médica do Moinhos de Vento.

E ainda:  Cinco estados não têm mortes por Covid-19 nesta sexta, mostra consórcio de imprensa

Na cidade de São Paulo, o cenário é parecido: 24% dos internados não têm esquema completo, segundo a Secretaria Municipal da Saúde. Dados da Secretaria de Saúde de Campo Grande (MS) vão no mesmo sentido. Cerca de 60% dos pacientes que morreram em decorrência da Covid em setembro e outubro tinham recebido uma ou duas doses de vacina. Mas a idade da grande maioria das vítimas — 61 anos ou mais — justifica a necessidade da dose de reforço, afirma a pasta.

Embora conhecer o perfil vacinal de quem hoje ocupa os leitos de hospital tenha grande importância ao acompanhar os desdobramentos da doença, muitos estados não dispõem de informações sobre o tema em suas secretarias de Saúde. Pelo menos São Paulo, Bahia, Roraima e Rio Grande do Sul não têm base de dados que ofereça essas informações aos gestores locais. Assim como as capitais Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Rio Branco e Salvador.

Catarata:  veja sintomas, causas e tratamento

Há a justificativa de que o preenchimento de informações sobre a vacinação dos internados em sistemas informatizados do Ministério da Saúde não é obrigatório. O que leva alguns gestores de saúde a não informarem a situação dos pacientes.

— Uma das grandes dificuldades que temos é que esses dados olham para o retrovisor. Sabemos como estavam as coisas no mês passado, há 40 dias, mas não em tempo real. O que na tomada de decisão é muito ruim — diz Renato Kfouri, da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim). — Todas as informações no manejo de uma pandemia são úteis.

Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde afirmou que se trata de um levantamento complexo, e que um estudo nacional ainda está em elaboração.

Cenário internacional

Não é só no Brasil que o impacto dos não vacinados no sistema de saúde é grande. O Ministério da Saúde de Israel, por exemplo, divulgou a prevalência dos que não receberam as agulhadas em dados de mortes e internações no último mês de setembro. Neles, é possível observar que 75% dos mortos por Covid-19 com menos de 60 anos não foram vacinados. Além disso, o governo ainda mostra que 82% dos pacientes hospitalizados em estado grave com menos de 60 anos não foram vacinados.

Outro levantamento, feito pelo departamento de saúde da Pensilvânia, nos EUA, mostra que os não totalmente vacinados representam 95% das internações e 97% das mortes, quando estende-se a lupa entre o período de janeiro a setembro deste ano.

Adblock test (Why?)


Pacientes sem vacinação completa são a maioria dos internados por Covid-19 em hospitais de ao menos cinco estados - Jornal O Globo
Read More

Alzheimer começa em várias áreas do cérebro, não inicia em uma e se espalha - VivaBem

Uma equipe internacional de cientistas descobriu que o Alzheimer se desenvolve de uma maneira bem diferente da que se pensava. Até agora, acreditava-se que a doença surgia em um ponto único do cérebro e ia evoluindo para outras partes, numa reação em cascata. Porém, os pesquisadores liderados pela equipe da Universidade de Cambridge (Inglaterra) descobriram que, já no início, a doença afeta diferentes partes do cérebro, que não necessariamente estão conectadas.

Os resultados do estudo, publicados na revista Science Advances, abrem portas que podem ajudar os especialistas a compreenderem melhor a demência e buscar formas de tratar o problema, que ainda não possui cura —os medicamentos atuais têm como objetivo adiar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Entenda o Alzheimer e como foi feita a pesquisa

A demência ocorre devido ao acúmulo de proteínas tau e beta-amiloide no cérebro. Elas vão formando emaranhados e placas, que provocam alterações tóxicas e fazem com que os neurônios deixem de se comunicar e morram. Isso resulta em problemas como perda de memória, alterações de personalidade e dificuldade para realizar tarefas habituais.

Alzheimer - iStock - iStock

Proteínas beta-amiloide e tau formam emaranhados no cérebro que prejudicam a comunicação entre os neurônios e levam essas células à morte

Imagem: iStock

Como falamos, acreditava-se que o acúmulo dessas substâncias iniciava-se em um ponto do cérebro e os emaranhados e placas iam aumentando progressivamente, atingindo regiões vizinhas. Porém, após analisarem amostras de cérebros de pessoas com Alzheimer que morreram e avaliar resultados de tomografias cerebrais (PET) de pacientes vivos, que apresentavam tanto deficiência cognitiva leve quanto Alzheimer já desenvolvido, os pesquisadores observaram que a progressão da doença não acontece assim.

"O pensamento era de que o Alzheimer se desenvolvia de uma forma semelhante a muitos tipos de câncer: os emaranhados se formavam em uma região e depois se espalhavam pelo cérebro", afirmou Georg Meisl, pesquisador da Universidade de Cambridge e principal autor do artigo. "Mas, em vez disso, descobrimos que, quando o Alzheimer começa, já existem emaranhados em várias regiões do cérebro. Portanto, tentar impedir a propagação deles entre as regiões fará pouco para retardar a doença."

Essa foi a primeira pesquisa a usar dados humanos para rastrear o avanço da demência no cérebro —até então isso só tinha sido feito com a análise de animais. Os pesquisadores também relataram que a replicação dos emaranhados de proteína no cérebro é "lenta" e leva até cinco anos para acontecer.

"Nossos neurônios são surpreendentemente bons em impedir a formação de emaranhados, mas precisamos encontrar maneiras de torná-los ainda melhores nisso, se quisermos desenvolver um tratamento eficaz", disse David Klenerman, co-autor sênior do estudo e professor da Universidade de Cambridge.

Por que a descoberta é importante

Estima-se que o Alzheimer afete cerca de 45 milhões de pessoas em todo mundo. Como falamos, o problema até o momento não tem cura nem causas definidas —mas sabemos que idade, genética, sedentarismo, má alimentação, tabagismo e doenças como obesidade, pressão alta, diabetes aumentam o risco de desenvolver a demência.

Segundo os pesquisadores, os resultados e metodologia do estudo podem ajudar no desenvolvimento de tratamentos. Para eles, a principal descoberta é que, tanto em estágios de deficiência cognitiva leve quanto de Alzheimer já desenvolvido, tentar interromper o crescimento dos emaranhados de proteínas tau e beta-amiloide pode ser mais eficaz para controlar a doença do que tentar evitar que elas se propaguem para outras áreas do cérebro —algo que muitas pesquisas já tentaram descobrir como fazer.

Adblock test (Why?)


Alzheimer começa em várias áreas do cérebro, não inicia em uma e se espalha - VivaBem
Read More

Saturday, October 30, 2021

Mesmo com fim da pandemia, Covid permanecerá e deve causar gripe grave - O Popular

Mesmo com o fim da pandemia, a Covid-19 ficará entre nós em forma de endemia. A doença vai continuar presente, mas sem um aumento significativo de casos. O Sars-CoV-2 será mais um dos vírus que causam a gripe grave. A avaliação é do cirurgião Paulo Chapchap, que liderou um grupo de médicos e especialistas em saúde pública no Todos pela Saúde, uma iniciativa do Ita...

Adblock test (Why?)


Mesmo com fim da pandemia, Covid permanecerá e deve causar gripe grave - O Popular
Read More

Banho frio é mesmo bom para a saúde? - G1

Tomar um banho frio de manhã é uma maneira bem desagradável de começar o dia. — Foto: Getty via BBC

Tomar um banho frio de manhã é uma maneira bem desagradável de começar o dia. — Foto: Getty via BBC

Tomar um banho frio de manhã é uma maneira bem desagradável de começar o dia.

Ainda assim, muita gente fica tentada a adquirir o hábito porque a imersão em água fria oferece supostamente vários benefícios para a saúde, tanto físicos quanto mentais.

Os banhos frios foram usados pela primeira vez por razões de saúde no início do século 19, quando os médicos passaram a adotá-los em hospícios e presídios para "esfriar cérebros quentes e inflamados e incutir medo para domar vontades impetuosas".

Em meados do século 19, os vitorianos perceberam que o chuveiro tinha outros usos, mais especificamente, lavar as pessoas — e seria melhor se a água fosse quente.

Assim, o chuveiro passou de um dispositivo usado para causar desconforto ​​por uma hora e meia a algo que era muito agradável e durava cerca de cinco minutos.

No entanto, a prática de tomar banho frio com o intuito de beneficiar a saúde nunca foi realmente embora e, na verdade, parece estar vivendo um ressurgimento. Especialmente no Vale do Silício. (Jack Dorsey, CEO do Twitter, já revelou em entrevista que tem o hábito de mergulhar em uma banheira de gelo).

Mas o que as evidências mostram?

Um amplo estudo realizado na Holanda mostrou que as pessoas que tomavam banho frio tinham menos probabilidade de se ausentar do trabalho devido a doenças do que aquelas que tomavam banho quente.

A água fria oferece supostamente vários benefícios para a saúde física e mental — Foto: Getty via BBC

A água fria oferece supostamente vários benefícios para a saúde física e mental — Foto: Getty via BBC

Um grupo de mais de 3 mil pessoas foi dividido em quatro e orientado a tomar banho quente todos os dias.

A um dos grupos, contudo, os pesquisadores pediram que encerrassem o banho com 30 segundos de água fria, outro com 60 segundos de água fria, e um terceiro com 90 segundos de água fria.

O grupo de controle poderia simplesmente desfrutar do banho quente.

Os participantes foram convidados a seguir este protocolo por um mês. (Embora 64% tenham continuado com o esquema da água fria porque gostaram muito.)

Após um período de acompanhamento de três meses, eles constataram que os grupos que tomaram a chuveirada gelada apresentaram uma redução de 29% nas licenças médicas autodeclaradas do trabalho.

Curiosamente, a duração da água fria não afetou as faltas por doença.

A razão pela qual um jato de água fria pode impedir as pessoas de ficarem doentes não está clara, mas algumas pesquisas sugerem que pode ter algo a ver com o fortalecimento do sistema imunológico.

Um estudo da República Tcheca mostrou que quando "homens jovens atléticos" foram imersos em água fria três vezes por semana durante seis semanas, isso ofereceu um leve estímulo ao seu sistema imunológico.

No entanto, mais estudos (e mais amplos) são necessários para confirmar estas descobertas.

A água fria também parece ativar o sistema nervoso simpático, a parte do sistema nervoso que é responsável pelas respostas de luta ou fuga (reação fisiológica automática a um evento percebido como perigoso, estressante ou assustador).

Quando ele é ativado, durante um banho frio, por exemplo, há um aumento nos níveis do hormônio conhecido como noradrenalina.

Isso é o que provavelmente causa o aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial observados quando as pessoas são imersas em água fria — e está relacionado às melhorias sugeridas para a saúde.

A imersão em água fria também demonstrou melhorar a circulação.

Quando estamos expostos à água fria, há uma diminuição do fluxo sanguíneo para a pele.

E quando a água fria para, o corpo precisa se aquecer, então há um aumento do fluxo sanguíneo para a superfície da pele.

Alguns cientistas acreditam que isso pode melhorar a circulação.

Acredita-se que a água fria esteja ligada ao fortalecimento do sistema imunológico — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Acredita-se que a água fria esteja ligada ao fortalecimento do sistema imunológico — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Um estudo que analisou a imersão em água fria após o exercício descobriu que, depois de quatro semanas, o vai e vem do fluxo sanguíneo para os músculos havia melhorado.

Há também algumas evidências de que o banho frio pode ajudar você a perder peso.

Um estudo mostrou que a imersão em água fria a 14℃ aumentava o metabolismo em 350%.

Metabolismo é o processo pelo qual seu corpo converte o que você come e bebe em energia, então um metabolismo mais alto equivale a mais energia queimada.

Além dos benefícios físicos, os banhos frios também podem oferecer benefícios para a saúde mental.

Há uma corrente de pensamento que acredita que a imersão em água fria gera um alerta mental maior devido ao estímulo da resposta de luta ou fuga mencionada anteriormente.

Em adultos mais velhos, a aplicação de água fria no rosto e no pescoço demonstrou melhorar a função cerebral.

O banho frio pode ajudar a aliviar ainda os sintomas de depressão.

Um mecanismo proposto é que, devido à alta densidade de receptores de frio na pele, o banho frio envie uma quantidade avassaladora de impulsos elétricos das terminações nervosas periféricas para o cérebro, que podem ter um efeito antidepressivo.

Há uma boa quantidade de evidências de que a imersão em água fria ou tomar um banho frio é bom para a saúde — mesmo que as razões ainda não sejam muito claras.

Mas antes de começar a abrir a torneira de água fria no final do banho, você deve saber que existem alguns riscos relacionados ao banho gelado.

Como um jato repentino de água fria bate no corpo, pode ser perigoso para pessoas com doenças cardíacas — isso poderia precipitar um ataque do coração ou irregularidades no ritmo cardíaco.

* Lindsay Bottoms é professora de Fisiologia do Exercício e da Saúde na Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido.

Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).

Adblock test (Why?)


Banho frio é mesmo bom para a saúde? - G1
Read More

Banho frio é mesmo bom para a saúde? - BBC Brasil

  • Lindsay Bottoms
  • The Conversation*

Mulher com frio no banho

Crédito, Getty Images

Tomar um banho frio de manhã é uma maneira bem desagradável de começar o dia.

Ainda assim, muita gente fica tentada a adquirir o hábito porque a imersão em água fria oferece supostamente vários benefícios para a saúde, tanto físicos quanto mentais.

Os banhos frios foram usados pela primeira vez por razões de saúde no início do século 19, quando os médicos passaram a adotá-los em hospícios e presídios para "esfriar cérebros quentes e inflamados e incutir medo para domar vontades impetuosas".

Em meados do século 19, os vitorianos perceberam que o chuveiro tinha outros usos, mais especificamente, lavar as pessoas — e seria melhor se a água fosse quente.

Assim, o chuveiro passou de um dispositivo usado para causar desconforto ​​por uma hora e meia a algo que era muito agradável e durava cerca de cinco minutos.

No entanto, a prática de tomar banho frio com o intuito de beneficiar a saúde nunca foi realmente embora e, na verdade, parece estar vivendo um ressurgimento. Especialmente no Vale do Silício. (Jack Dorsey, CEO do Twitter, já revelou em entrevista que tem o hábito de mergulhar em uma banheira de gelo).

Mas o que as evidências mostram?

Um amplo estudo realizado na Holanda mostrou que as pessoas que tomavam banho frio tinham menos probabilidade de se ausentar do trabalho devido a doenças do que aquelas que tomavam banho quente.

Mão experimentando a água do chuveiro

Crédito, Getty Images

Um grupo de mais de 3 mil pessoas foi dividido em quatro e orientado a tomar banho quente todos os dias.

A um dos grupos, contudo, os pesquisadores pediram que encerrassem o banho com 30 segundos de água fria, outro com 60 segundos de água fria, e um terceiro com 90 segundos de água fria.

O grupo de controle poderia simplesmente desfrutar do banho quente.

Os participantes foram convidados a seguir este protocolo por um mês. (Embora 64% tenham continuado com o esquema da água fria porque gostaram muito.)

Após um período de acompanhamento de três meses, eles constataram que os grupos que tomaram a chuveirada gelada apresentaram uma redução de 29% nas licenças médicas autodeclaradas do trabalho.

Curiosamente, a duração da água fria não afetou as faltas por doença.

A razão pela qual um jato de água fria pode impedir as pessoas de ficarem doentes não está clara, mas algumas pesquisas sugerem que pode ter algo a ver com o fortalecimento do sistema imunológico.

Um estudo da República Tcheca mostrou que quando "homens jovens atléticos" foram imersos em água fria três vezes por semana durante seis semanas, isso ofereceu um leve estímulo ao seu sistema imunológico.

No entanto, mais estudos (e mais amplos) são necessários para confirmar estas descobertas.

A água fria também parece ativar o sistema nervoso simpático, a parte do sistema nervoso que é responsável pelas respostas de luta ou fuga (reação fisiológica automática a um evento percebido como perigoso, estressante ou assustador).

Quando ele é ativado, durante um banho frio, por exemplo, há um aumento nos níveis do hormônio conhecido como noradrenalina.

Isso é o que provavelmente causa o aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial observados quando as pessoas são imersas em água fria — e está relacionado às melhorias sugeridas para a saúde.

A imersão em água fria também demonstrou melhorar a circulação.

Quando estamos expostos à água fria, há uma diminuição do fluxo sanguíneo para a pele.

E quando a água fria para, o corpo precisa se aquecer, então há um aumento do fluxo sanguíneo para a superfície da pele.

Alguns cientistas acreditam que isso pode melhorar a circulação.

Mulher gritando enquanto toma banho de chuveiro

Crédito, Getty Images

Um estudo que analisou a imersão em água fria após o exercício descobriu que, depois de quatro semanas, o vai e vem do fluxo sanguíneo para os músculos havia melhorado.

Há também algumas evidências de que o banho frio pode ajudar você a perder peso.

Um estudo mostrou que a imersão em água fria a 14℃ aumentava o metabolismo em 350%.

Metabolismo é o processo pelo qual seu corpo converte o que você come e bebe em energia, então um metabolismo mais alto equivale a mais energia queimada.

Além dos benefícios físicos, os banhos frios também podem oferecer benefícios para a saúde mental.

Há uma corrente de pensamento que acredita que a imersão em água fria gera um alerta mental maior devido ao estímulo da resposta de luta ou fuga mencionada anteriormente.

Em adultos mais velhos, a aplicação de água fria no rosto e no pescoço demonstrou melhorar a função cerebral.

O banho frio pode ajudar a aliviar ainda os sintomas de depressão.

Um mecanismo proposto é que, devido à alta densidade de receptores de frio na pele, o banho frio envie uma quantidade avassaladora de impulsos elétricos das terminações nervosas periféricas para o cérebro, que podem ter um efeito antidepressivo.

Há uma boa quantidade de evidências de que a imersão em água fria ou tomar um banho frio é bom para a saúde — mesmo que as razões ainda não sejam muito claras.

Mas antes de começar a abrir a torneira de água fria no final do banho, você deve saber que existem alguns riscos relacionados ao banho gelado.

Como um jato repentino de água fria bate no corpo, pode ser perigoso para pessoas com doenças cardíacas — isso poderia precipitar um ataque do coração ou irregularidades no ritmo cardíaco.

* Lindsay Bottoms é professora de Fisiologia do Exercício e da Saúde na Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido.

Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).

Línea

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

Adblock test (Why?)


Banho frio é mesmo bom para a saúde? - BBC Brasil
Read More

Ela sofreu AVC aos 25 anos: 'Sentia muita dor na cabeça e tive amnésia' - VivaBem

Dominique Lima tinha acabado de completar 25 anos. Em um domingo de manhã, ela acordou com uma dor muito forte na cabeça. Na época, sofria com as crises de enxaqueca, mas os sintomas eram diferentes dessa vez: uma dor muito mais intensa, na cabeça toda e, além disso, o incômodo não passava quando ela evitava ambientes com luz.

Preocupada e imaginando que pudesse ser algo mais grave, resolveu procurar atendimento médico. Aos 25 anos, Dominique estava sofrendo um AVC (Acidente Vascular Cerebral), que é a interrupção do fluxo sanguíneo no cérebro. Hoje, com 38 anos e já recuperada, a empresária de Brasília conta a VivaBem a história que teve grande impacto na sua vida.

"Eu já sofria de enxaqueca, mas acordei em um domingo de manhã com uma dor enorme, sabendo que provavelmente seria algo diferente. Na época, em novembro de 2009, morava com a minha mãe e decidimos ir ao hospital.

Na verdade, precisei ir em dois, pois no primeiro hospital não conseguiram realizar o diagnóstico. Depois, no outro hospital, eles levaram muito tempo para entender o que estava acontecendo, principalmente porque perceberam que era muito mais do que uma crise de enxaqueca.

Até porque eu também sentia as diferenças nos sintomas. Era uma dor muito intensa e uma das características que chamou atenção é que a enxaqueca me causava fotofobia [sensibilidade à luz solar]. Quando eu apagava a luz, diminuía em 20%, 30% minhas dores. Nesse caso, não estava melhorando.

O local da dor também era diferente: não era na parte lateral e frontal, mas em toda a cabeça, e de uma intensidade muito forte. Eu sabia que era algo mais grave. Suspeitando de meningite, os médicos pediram o exame de punção na lombar e, nele, saiu um pouco de sangue.

Os médicos também suspeitavam de AVC, que tinha características iniciais muito parecidas com o isquêmico [obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de oxigênio para células no cérebro]. Mas o sangue também foi um indicador do AVC hemorrágico [quando um vaso sanguíneo ou artéria se rompe, causando vazamento do sangue na região e interrompendo o fluxo sanguíneo]. Então, eles disseram que eu tive os dois tipos de AVC.

Fui ao pré-cirúrgico e a equipe médica estava me avaliando porque, talvez, teria de ser operada. Foi um período tenso, pois não sabia exatamente o que estava acontecendo. Depois de várias avaliações, eles optaram por não realizar a cirurgia.

Neste momento de indecisão, um fisioterapeuta veio me avaliar em relação a minha amnésia temporária e fez diversas perguntas, como: 'onde você mora? Qual sua profissão?'. Entendia a pergunta, mas não conseguia dar a resposta. Percebi ali que a situação era grave.

Fiquei 15 dias internada na UTI

Como não operei, fiquei internada, tomando altas doses de anticoagulantes, anti-inflamatórios e, além de tudo, totalmente acamada. Não podia mexer a cabeça para não aumentar o risco de sangramentos. Sabia do alto risco de morrer tanto pela seriedade e postura dos médicos, quanto pela dor que sentia.

Dominique Lima - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal

Dominique Lima ficou 15 dias na UTI tratando AVC

Imagem: Arquivo pessoal

A amnésia melhorou nos primeiros três dias de medicação. Levei um tempo para entender o que estava acontecendo comigo e, inclusive, para saber se eu teria sequelas e quais seriam.

Como estava muito confusa, os médicos foram dando as informações devagar para evitar qualquer aumento de tensão que, consequentemente, poderia piorar o sangramento. Foi um susto muito grande.

Ainda internada, eu tive um sintoma que eu enxergava igual a um caleidoscópio: via várias imagens da mesma coisa ao mesmo tempo. Os médicos disseram que era por causa do aumento da pressão intracraniana. Foi algo bem estranho.

Saindo do hospital, procurei um oftalmologista que falou que poderia melhorar ou não, mas que teria como corrigir isso com uma lente de óculos. No entanto, isso passou. De sequelas, só saí com impactos na força e movimentos do corpo, mas nada sério, era algo do tempo que fiquei acamada.

O primeiro ano depois do AVC foi o mais tenso

Tive que fazer uso constante de anticoagulantes porque há um risco de sofrer um AVC novamente. Na época, fazia uso de anticoncepcional oral e esse foi um dos fatores que contribui para o derrame. Os médicos explicaram que é um acúmulo de fatores que, se passar dessa linha, acaba ocorrendo o AVC.

Além disso, também tenho um fator genético que não havia sido identificado antes. Tanto que já tinha realizado exames anteriores para saber se poderia tomar anticoncepcional e, até então, estava tudo certo. Mas depois descobri esse outro fator genético.

Na minha família, há uma tendência de hipercoagulação do sangue, algo super complicado. Temos históricos de trombose e infarto, mas não existia nenhum caso de AVC antes.

Dominique Lima - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal

Dominique Lima adotou prática de atividade física com frequência e meditação

Imagem: Arquivo pessoal

Depois que melhorei, deixei de usar qualquer tipo de tratamento hormonal para diminuir as chances de uma ocorrência do AVC. Também aderi a várias mudanças no estilo de vida. Aos 25, tinha um nível de estresse muito parecido com o de outras pessoas da minha idade, mas estava sempre agitada mentalmente falando.

Fiz um tratamento para enxaqueca, já que isso aumenta os riscos de um AVC, e no estilo de vida, passei a fazer atividade física regularmente —algo que sempre ouvimos e, de fato, faz muita diferença. Também tenho um cuidado maior com a higiene de sono e incluí a meditação. Tento viver os dias da forma mais saudável possível.

Hoje, faço acompanhamento com o hematologista [médico que estuda o sangue] de forma menos frequente. Agora, só uso anticoagulante, de forma profilática [preventiva], quando me envolvo em alguma atividade de risco, como cirurgias ou em viagens de avião principalmente.

A cada ano que passa, meu risco de ter um novo AVC diminui. Por isso, cada ano que passa é uma vitória para mim. Fico feliz e com uma perspectiva maior de vida."

Dia Mundial do AVC

O dia 29 de outubro é considerado o Dia Mundial do AVC, doença responsável por muitas internações, incapacitação e mortes no mundo. Só no Brasil, 6 milhões de pessoas morrem por ano, e 16 milhões ficam com sequelas.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) tem chamado a atenção de especialistas de todo o planeta: o AVC tem atingido cada vez mais a população jovem, sendo a 5ª maior causa de mortes provocadas na faixa etária dos 15 aos 59 anos. No Brasil, foram 13 mil óbitos de brasileiros entre 15 e 40 anos, nos últimos cinco anos, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

O estresse pode ser um dos principais fatores para o aumento da doença entre a população mais jovem. O tipo mais comum de AVC neste público é o isquêmico, segundo Thaís Augusta, neurologista e coordenadora de Neurologia do Hospital Santa Lúcia, em Brasília. Além disso, há outros fatores de risco que também podem interferir.

"Comodidades como o uso constante do carro, do controle remoto e o fast-food exagerado, por exemplo, também favorecem o agravamento dos fatores de risco de AVC, como obesidade e sedentarismo", explica a neurologista. Além disso, a hipertensão arterial, o colesterol elevado, o tabagismo e o diabetes também são considerados fatores de risco importantes.

Embora seja mais comum em homens idosos, nos mais jovens, o AVC pode ocorrer com mais frequência nas mulheres, de acordo com Augusta. "Existe uma associação importante com doenças reumatológicas, que são autoimunes, como lúpus, que acometem mais as mulheres", diz.

Adblock test (Why?)


Ela sofreu AVC aos 25 anos: 'Sentia muita dor na cabeça e tive amnésia' - VivaBem
Read More

Essa é a dieta que você deve seguir para emagrecer em 2023, segundo a ciência - Minha Vida

Estudo comparou cinco dietas diferentes e definiu qual é a mais eficaz para quem quer perder peso a longo prazo Perder peso ou ter um est...