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Wednesday, August 3, 2022

Aline Gotschalg passa por cirurgia para retirar câncer na tireoide - Glamour Brasil

Aline Gotschalg descobriu que estava com câncer na tireoide. Aos 31 anos, a influencer relembrou o medo ao lidar com o dignóstico da doença, o que sentiu ao ouvir que se tratava de nódulo maligno e como foi o tratamento rumo à cura, em entrevista exclusiva à Glamour Brasil.

Glamour Brasil: Quais foram os sintomas que você teve antes de ser diagnosticada com câncer na tireoide?

Aline: Estou bem e me recuperando! Tudo foi conduzido com ajuda de Deus. Não tive absolutamente nenhum sintoma. Faço meus exames periodicamente, mas nunca havia feito ultrassom de tireoide. Nos meus exames de sangue minha tireoide estava funcionando normalmente. Mesmo assim, mesmo estando tudo bem com os meus exames de sangue, nada me tirava da cabeça que eu deveria fazer um ultrassom na tireoide. E é aí que acredito ter sido o agir de Deus e meu anjo da guarda.

Pedi minha médica para fazer um pedido do exame de ultrassom de tireoide, que detectou um nódulo. O que já foi um susto. Logo após esse resultado fui instruída a realizar uma biópsia desse nódulo e infelizmente descobrimos que era um tumor maligno.

Aline Gostchalg — Foto: Reprodução/Instagram

Aline Gostchalg — Foto: Reprodução/Instagram

O que sentiu ao receber o diagnóstico?

Foi bem difícil para mim. Fiquei em choque. Tive muito medo de morrer. Por mais que o câncer de tiroide seja tratável e tenha chances altíssimas de cura, receber o diagnóstico de um tumor maligno é bem difícil. Fiquei cheia de incertezas, aflita, preocupada... não queria acreditar.

Como foi o tratamento para buscar a cura?

Meu tratamento foi cirúrgico. Foi retirada toda a tireoide e agora preciso fazer exames há cada seis meses e acompanhar de perto.

Como foi a cirurgia? Você está curada?

Estou curada, graças a Deus! Acordar após a cirurgia foi o momento que mais aguardei nesses últimos meses. Voltar para casa curada é uma provação de Deus na minha vida. Terei uma segunda etapa no tratamento, que se chama Iodoterapia. É um tratamento para remover resíduos de células cancerígenas depois da retirada da tireoide, com o objetivo de evitar que haja recidiva do câncer. No meu caso estava se iniciando uma metástase, então vou precisar realizar esse segundo tratamento para eliminar possíveis células cancerígenas pelo meu corpo.

Aline Gostchalg e Fernando Medeiros — Foto: Reprodução/Instagram

Aline Gostchalg e Fernando Medeiros — Foto: Reprodução/Instagram

Qual conselho você dá para os jovens que são diagnosticados com câncer de tireoide?

Antes de tudo confie em Deus. Depois se concentre em buscar a cura. Para mim não foi fácil lidar com esta doença. No primeiro momento entrei em desespero, não acreditei quando recebi o diagnóstico. Mas o susto vai dando espaço para o entendimento. Não se cobre tanto nesse momento em ser uma pessoa 100% positiva, é difícil. Procure um bom médico para te acompanhar nessa caminhada, estar cercada de bons profissionais, faz toda diferença. Vai dar tudo certo na sua busca pelo tratamento e não se descuide, cuide-se sempre.

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Varíola dos macacos: como diagnosticar? Onde fazer o teste e quanto demora? - VivaBem

A escalada de casos de varíola dos macacos colocou a comunidade científica em alerta. No Brasil, o Ministério da Saúde trata o avanço como um surto, primeiro estágio da evolução de contágio, antes de epidemia e pandemia.

Para diagnosticar a doença, o exame utilizado é bastante conhecido por causa da pandemia da covid-19: o PCR. No entanto, a coleta difere da que acontece para detectar o novo coronavírus, que usa secreções das narinas e da garganta. Na varíola dos macacos, a avaliação se baseia no material genético presente nas lesões características da doença.

Mas, há momento certo para realizar o diagnóstico? Em quanto tempo o resultado fica pronto? E é preciso repetir em caso de teste negativo e persistência dos sintomas?

Tire abaixo as principais dúvidas sobre o exame para diagnosticar a varíola dos macacos:

Qual é o teste para diagnosticar a varíola dos macacos?

O diagnóstico da varíola dos macacos —ou monkeypox-- ocorre por meio de variações do PCR, que avalia o material genético nas amostras —são o RT-PCR e o qPCR. De acordo com o infectologista Celso Granato, diretor clínico do Grupo Fleury, ambos os métodos indicam se a pessoa tem ou não o vírus.

"Colhe-se material de vários pontos da pessoa, dependendo da apresentação clínica da doença. Temos feito a detecção das bolhas, você fura e raspa o cotonete [swab] na base dela. Pode ser avaliado também o líquido que sai, muito rico em vírus", explica Granato.

Ainda não há uma padronização na coleta, mas a tendência é que cada laboratório use mecanismos para garantir o êxito do exame, como colher um certo número de amostras ou usar métodos associados para analisar se o resultado é confiável.

Mesmo tendo lesões típicas da doença e outros sintomas, o teste é obrigatório?

O exame via PCR é obrigatório para diagnosticar a doença mesmo o paciente tendo lesões e outros sintomas associados da varíola dos macacos (como febre, dores de cabeça e musculares).

Isso acontece porque as lesões podem se confundir com outras condições, como sífilis e até mesmo varicela (a catapora). Além disso, o controle de casos é essencial para monitorar o avanço da doença neste surto atual.

Há momento certo para fazer a detecção?

Na verdade, alguns estágios da doença e avanço das bolhas podem tornam a detecção do vírus mais fácil. As lesões da varíola dos macacos começam como manchas (fase chamada de mácula), avançam se assemelhando a espinhas que não conseguem ser espremidas (pápula) e, então, viram tipos de bolhas (vesícula). Na sequência, entram em processo de cicatrização.

O melhor momento para testar é quando as vesículas se formam, porque há maior presença de vírus nas secreções. Mas isso não significa que a detecção seja impossível no início da doença, por exemplo. E na cicatrização, inclusive, a casquinha também é encaminhada para o laboratório.

"Pessoa com lesão parecida com espinha já dá para testar. É mais difícil de colher, mais dolorosa, ter que passar com força o swab, porque precisa extrair célula. Não é que não consiga [fazer o exame], mas vai doer. A rigor, pode realizar desde a fase pápula", afirma Granato. Quando a pele cicatriza por completo, o resultado tende a ser negativo.

Outro ponto é que a pessoa pode apresentar lesões em estágios distintos, com concentrações diferentes de vírus. "Não há problema nenhum, o mais importante é que a amostra seja bem colhida, na base da bolha e ter células para o exame ser significativo", assegura o infectologista.

Onde fazer e quanto tempo demora o resultado?

É possível fazer o teste nas redes púbica e privada.

"Em laboratórios privados, o resultado é obtido em menos de 24 horas, geralmente. Em públicos, é um tempo maior, de 72 horas até 7 dias dependendo da região. Esse período é mais demorado pela logística", explica Lorena de Castro Diniz, coordenadora do departamento científico de imunização da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia).

Em caso de resultado negativo e sintomas persistentes, é preciso repetir?

O profissional de saúde deve orientar a repetição do exame caso suspeite que o resultado inicial foi um falso negativo.

"Se a pessoa colheu ontem, deu negativo e a suspeita clínica é forte, pode colher hoje mesmo. Não existe período delimitado para refazer o teste. Importante é ter dados para ver se vale a pena repetir", diz o infectologista Celso Granato.

Em alguns casos, inclusive, o próprio laboratório pode indicar nas observações do exame a necessidade de refazê-lo ao detectar eventuais alterações na coleta.

O exame dói?

O exame torna-se incômodo porque as lesões doem. Então, qualquer contato que exista nelas pode causar dor. Segundo Granato, outro ponto é que há muitos relatos de feridas anais e perianais, aumentando o risco de desconforto.

"Isso chama a atenção, porque não era uma doença que dava dor neste nível. A apresentação clínica difere do que líamos nos relatos", conta o infectologista.

Precisa fazer novamente o exame para sair do isolamento?

Não há indicação de refazer o PCR para sair do isolamento, mas é essencial a avaliação clínica de médicos para assegurar que o paciente pode restabelecer as atividades de rotina.

O paciente não está liberado do isolamento enquanto as feridas não cicatrizam, porque pode infectar outras pessoas. O tempo médio de incubação da doença é de seis a 13 dias, mas pode variar de cinco a 21 dias, conforme a OMS (Organização Mundial da Saúde).

"Isso se modula dependendo do sistema imunológico do paciente. A doença vai ser mais arrastada em pessoas com sistema imune comprometido do que em imunocompetentes, por exemplo", diz a imunologista Lorena de Castro Diniz.

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Tuesday, August 2, 2022

Grávida, Vírgina Fonseca fala sobre sua saúde após visita médica - SBT

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Grávida, Vírgina Fonseca fala sobre sua saúde após visita médica  SBTVer cobertura completa no Google Notícias
Grávida, Vírgina Fonseca fala sobre sua saúde após visita médica - SBT
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Médico flagra homem infectado com varíola dos macacos em metrô - Jornal Correio

Imagina andar de metrô e, de repente, perceber que um passageiro está infectado com a varíola dos macacos? Foi o que aconteceu com o médico Arturo Henriques, que estava indo trabalhar e conseguiu flagrar um homem com a doença andando tranquilamente pelo transporte público de Madri, na Espanha.

O profissional da área da saúde conseguiu tirar uma foto e publicou em seu Twitter no último sábado (30), publicação que já alcançou mais de 100 mil curtidas.

"Quantas pessoas ele pode deixar doentes??? Não faço ideia", questionou o médico no microblog. Ele ainda alertou que não iria tocar em nenhum lugar do transporte, por medo de acabar pegando a doença por causa da falta de responsabilidade do outro. 

Ele chegou a conversar com o infectado para entender o que estava ocorrendo, já que o tempo de transmissão é longo, podendo chegar a 21 dias e a resposta chocou Arturo. 

"O ​​homem entra no metrô. Completamente crivado de ferimentos da cabeça aos pés, incluindo as mãos. Eu vejo a situação e também vejo as pessoas ao meu redor como se nada estivesse acontecendo. Tornei-me uma KAREN, aproximei-me do homem com prudência e questionei o que ele estava fazendo no metrô se ele tinha V [varíola] dos macacos. A resposta dele: sim. Eu tenho isso, mas minha médica não me disse que eu tinha que ficar em casa. Basta usar uma máscara", contou. 

Em outro momento, ele conversa com a passageira que está ao lado do infectado, questionando se ela estaria com medo de pegar a doença. Em resposta, de forma surpreendente, a mulher afirma que não estava com receio porque o governo afirmou que o problema era uma doença de homossexuais. "Como vou temer se eu não sou gay? O governo disse que eram os gays que tinham que se cuidar".

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Monday, August 1, 2022

Ministro da Saúde diz que Brasil vai receber antiviral para enfrentamento da varíola dos macacos - Globo

Em publicação feita em seu perfil no Twitter nesta segunda-feira (1º), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que o Brasil vai receber um antiviral para combate ao surto de varíola dos macacos no país.

Publicação de Marcelo Queiroga em seu perfil oficial no Twitter — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Publicação de Marcelo Queiroga em seu perfil oficial no Twitter — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Uma pesquisa publicada na revista científica "The Lancet Infectious Diseases", do grupo "The Lancet", apontou que o antiviral tecovirimat se mostrou promissor em reduzir a duração dos sintomas e o tempo em que pacientes com a varíola dos macacos são capazes de infectar outras pessoas.

Os pacientes tratados com o tecovirimat, segundo o estudo, tiveram duração menor dos sintomas e expeliu vírus por menos tempo pelo trato respiratório superior (nariz, faringe, laringe e parte superior da traqueia).

O g1 questionou o Ministério da Saúde quando ocorrerá a distribuição do medicamento, quantas doses serão importadas e quais grupos, de fato, serão contemplados, mas ainda não obteve resposta da pasta.

Segundo a última atualização do Ministério da Saúde, até o momento, o Brasil registra 1.369 casos confirmados de varíola dos macacos no país.

Por estados, a divisão fica assim: São Paulo (1.031), Rio de Janeiro (169), Minas Gerais (63), Distrito Federal (20), Paraná (21), Goiás (18), Bahia (11), Ceará (4), Rio Grande do Norte (2), Espírito Santo (2), Pernambuco (7), Tocantins (1) , Acre (1), Amazonas (1), Rio Grande do Sul (6), Mato Grosso do Sul (5), Amazonas (1), e Santa Catarina (7).

Varíola dos macacos: veja 5 pontos sobre a doença

Varíola dos macacos: veja 5 pontos sobre a doença

O que é a varíola dos macacos?

A varíola dos macacos é uma doença causada pelo vírus monkeypox, que pertence à mesma família (poxvírus) e gênero (ortopoxvírus) da varíola humana. A varíola humana, no entanto, foi erradicada do mundo em 1980, e era muito mais letal.

A transmissão ocorre por contato próximo com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados, como roupas de cama, independentemente da orientação sexual de quem está infectado.

A doença costuma causar os seguintes sintomas iniciais:

  • febre
  • dor de cabeça
  • dores musculares
  • dor nas costas
  • gânglios (linfonodos) inchados
  • calafrios
  • exaustão

Dentro de 1 a 3 dias (às vezes mais) após o aparecimento da febre, o paciente desenvolve uma erupção cutânea, geralmente começando no rosto e se espalhando para outras partes do corpo.

Nos últimos tempos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a taxa de letalidade da varíola dos macacos foi de cerca de 3% a 6%; para a varíola humana maior, já erradicada, esse percentual chegava a 30%.

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Ministro da Saúde diz que Brasil vai receber antiviral para enfrentamento da varíola dos macacos - Globo
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Transplante de fezes: 3 pacientes contam por que fizeram e como foi - VivaBem

Transplante de fezes. Isso mesmo, você leu certo. Pode parecer estranho quando se escuta, mas é mais comum do que você imagina. O tratamento é indicado quando pacientes têm algum desequilíbrio grave da microbiota intestinal, principalmente causado pelo uso excessivo de antibióticos ao longo da vida.

Microbiota é a coleção de bactérias, vírus, fungos, parasitas entre outros micróbios e seus respectivos genes, que estão presentes, nesse caso, no intestino.

A inflamação causada pelo excesso desse tipo de remédio, chamada de colite pseudomembranosa, ocorre no intestino grosso, provocando diarreia e fortes dores abdominais, causada por uma bactéria chamada Clostridium difficile. Este tipo de transplante, tecnicamente intitulado microbiota fecal, é autorizado pelo Ministério da Saúde e pode ser realizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Diagnóstico errado e muitos sintomas

Diarreia, dor de barriga, cocô, evacuação, fezes - iStock - iStock
Imagem: iStock

A paciente alagoana A.L.C.*, 28, tem doença de Crohn, síndrome que afeta o sistema digestivo e tem como sintomas dores abdominais associadas à diarreia, febre e perda de peso. Ela foi diagnosticada aos 22 anos.

''Foi muito difícil chegar ao diagnóstico. Passei por vários médicos, inclusive recebi um diagnóstico errado e fui parar no hospital, estava muito mal'', conta a mulher, que prefere não ser identificada.

Até o primeiro semestre de 2021, a jovem tomava drogas imunossupressoras de alto custo para amenizar os sintomas da doença. "Chegava a injetar três ampolas do remédio a cada oito semanas'', lembrou.

Em setembro do mesmo ano, ela foi uma das voluntárias a participar de testes com o transplante da microbiota fecal. O procedimento ocorreu no Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, da UFAL (Universidade Federal de Alagoas), sob supervisão de Manoel Álvaro Lins Neto, médico proctologista.

''Desde que fiz o transplante de fezes, não tomei mais os medicamentos e estou muito bem. Estou satisfeita com o resultado'', afirma.

Motivação: sangue nas fezes

intestino - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

O servidor público R.F.S.*, 48, também foi um dos pacientes a realizar o transplante de microbiota fecal em Maceió. Ele foi diagnosticado com retocolite ulcerativa aos 37 anos, uma doença crônica inflamatória, que atinge principalmente o intestino grosso (cólon).

''Sentia fortes dores no estômago, mas o que me motivou a procurar um médico foi quando apareceu sangue nas minhas fezes. Fiquei internado por 11 dias, com febre e tomando antibióticos. Foi aí que diagnosticaram a doença'', contou.

Antes de fazer o transplante fecal, o servidor público usou um remédio para diminuir o processo inflamatório do intestino. Em meados de agosto de 2021, antes do transplante, teve que suspender as medicações que eram injetáveis.

''Desde então, não tomo nenhum medicamento para tratar a retocolite ulcerativa. Levo uma vida normal e acredito que o transplante teve um resultado bastante expressivo'', afirma. Até o final do ano, ele fará um novo transplante fecal para reforçar o tratamento, ainda em fase experimental.

Banheiro 15 vezes ao dia

Pedro Schestatsky - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal

Para Pedro, o transplante fecal não alcançou o sucesso desejado

Imagem: Arquivo pessoal

Em 2018, Pedro Schestatsky, 48, neurologista de Porto Alegre, foi diagnosticado com síndrome do intestino irritável, um distúrbio que se caracteriza por ocorrências de desconforto abdominal, dor, diarreia e prisão de ventre.

''Costumava ir ao banheiro umas 15 vezes por dia. Era uma vida bem difícil. Então, li alguns artigos científicos sobre a troca de microbioma, que dá uma melhorada nos sintomas dos pacientes, e resolvi fazer o transplante de fezes'', conta o médico.

Na época, o procedimento foi realizado no Hospital Ernesto Dornelles, na capital do Rio Grande do Sul, sob o comando do médico gastroenterologista Guilherme Becker Sander, chefe do Serviço de Endoscopia da instituição.

Schestatsky explica que o médico pegou as fezes de um doador vegano e, posteriormente, o excremento foi colocado num mixer, que acabou criando um líquido pastoso [aos cuidados de um microbiólogo].

''Essa substância foi inserida no meu organismo durante uma colonoscopia e me senti melhor por três semanas, mas depois tudo desandou e piorei'', disse o neurologista, que não mudou seus hábitos alimentares, parte importante do tratamento da síndrome.

O eixo intestino-cérebro

relação cérebro-intestino; microbiota intestinal - iStock - iStock
Imagem: iStock

Aqui no Brasil, o primeiro transplante de fezes aconteceu em 2014 no Hospital Israelita Albert Einstein, na cidade de São Paulo, e foi para tratar de colite. Já em 2017, o Hospital das Clínicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) foi pioneiro ao criar um Centro de Transplante de Microbiota Fecal e, além disso, manter um banco de fezes.

De acordo com Daniel Antônio de Albuquerque Terra, gastroenterologista e endoscopista, que trabalha no centro, ''o transplante de microbiota fecal tem indicação bem estabelecida apenas nos casos de infecção intestinal recorrente ou refratária pelo Clostridium difficile''.

No entanto, com o avanço nas pesquisas, o procedimento tem sido estudado como possível opção terapêutica para outras condições e poderá auxiliar pacientes com doenças inflamatórias intestinais, cirrose hepática, síndrome do intestino irritável e até mesmo enfermidades de desordens neurológicas, como esclerose múltipla, Parkinson, autismo e depressão.

''Apesar de todo entusiasmo, deve-se ter cautela com sua utilização, haja vista a escassez de dados sobre segurança a longo prazo'', ressalta Terra.

Conforme o gastroenterologista, atualmente estão sendo conduzidos 17 ensaios clínicos na América do Norte, Europa e Ásia sobre transplante de microbiota fecal em pacientes com obesidade, entre outras enfermidades.

''No entanto, as evidências não são robustas para indicar o transplante nesse cenário e mais investigação se faz necessária para produzir o conhecimento científico almejado. O mesmo ocorre com as doenças neurológicas: há indícios preliminares de benefícios, mas ainda sem nenhuma evidência contundente para indicar o transplante como tratamento rotineiro'', alerta o pesquisador.

Em Maceió, no Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, 21 pacientes com doenças inflamatórias intestinais vêm realizando, desde agosto do ano passado, o transplante de microbiota intestinal, caso das duas pessoas citadas acima.

''Nestes casos, fizemos o transplante para doença inflamatória intestinal —retocolite ulcerativa e doença de Crohn. Não havia mais possibilidade de cirurgia então, sugeri o transplante de microbiota para esses pacientes. Estamos acompanhando de perto os desdobramentos dessa alternativa de tratamento. Não podemos ainda dizer qualquer resultado, pois seria precipitado e toda pesquisa vem com otimismo seguido de ética e precaução", salienta Lins Neto.

Hipócrates, considerado o pai da medicina, já havia observado que a origem de todas as doenças era o intestino. Assim, não causa espanto o fato de que tenham sido identificados quadros de desequilíbrio das bactérias da microbiota entre pessoas com distúrbios psiquiátricos e neurológicos. A atividade de suas bactérias intestinais afeta o estresse e a ansiedade —um microbioma equilibrado pode melhorar sua forma de lidar com estresse, mas um microbioma desequilibrado pode afetar sua saúde mental, por exemplo.

Após o transplante de fezes, Schestatsky se deu conta que o intestino é um dos órgãos mais importantes do corpo humano. ''Ele é o portal da inflamação do nosso corpo, o sistema de defesa [imunidade] está todo nele. É o intestino que absorve os nutrientes e define se a pessoa vai ser diabética ou não. Existe uma relação muito forte entre o grau de diversidade bacteriana que o paciente tem com câncer, asma, Parkinson, autismo. É um órgão de ouro, tão valioso quanto o cérebro, e olha que é um neurologista que está falando isso'', afirma o gaúcho.

Faltam doadores

Um dos grandes problemas do transplante de microbiota fecal é encontrar um doador. A sociedade brasileira ainda não possui essa cultura de doar fezes, e carrega consigo a desconfiança e a falta de informação. Outra dificuldade é achar um cocô que seja compatível com o receptor.

Para ser doador, o candidato passa por critérios muito rígidos em que, além dos exames de hemograma, são avaliados o estilo de vida, hábito alimentar, prática de exercício físico, ausência de sintomas gastrointestinais e infecções, e a não utilização de antibiótico nos quatro meses que antecedem a coleta.

''De 70 voluntários entrevistados para doar fezes, apenas cinco foram classificados, destes, todas mulheres'', comenta o médico de Alagoas.

Se você se interessa em ser um doador, procure por um centro de pesquisa, universidade, hospital ou laboratório na sua cidade que trabalhe com transplante fecal.

*Os nomes dos pacientes não foram usados para preservar a identidade de ambos.

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A médica do exercício e do esporte Silvana Vertematti, do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, dá algumas dicas que podem ajudar a melhorar o seu desempenho
 

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