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Friday, September 2, 2022

Roraima investiga caso suspeito de poliomielite; vírus foi erradicado há 33 anos - UOL Confere

A Secretaria Municipal de Saúde de Rorainópolis, município localizado no interior de Roraima, investiga um caso suspeito de poliomielite em uma adolescente de 14 anos. Segundo especialistas, a redução na cobertura vacinal contra a doença tem elevado os riscos do retorno do vírus, erradicado no Brasil desde 1989.

A prefeitura de Rorainópolis informou, em nota, que a Coordenação de Vigilância em Saúde do município recebeu a notificação no último dia 29 e iniciou as tratativas pertinentes ao caso.

Conforme o governo de Roraima, a paciente tomou sete doses da vacina oral de poliomielite e está internada em um hospital em Boa Vista, capital do Estado.

"Apesar de considerada erradicada, a agressiva queda nas coberturas vacinais torna iminente a real reintrodução do vírus no Brasil", disse a prefeitura de Rorainópolis.

A pasta frisou que a poliomielite é uma doença contagiosa aguda, que pode infectar crianças e adultos por contato direto com fezes ou com secreções eliminadas pela boca de doentes, podendo desenvolver quadros de paralisia.

A prefeitura orientou que, em caso de dúvida, os pacientes procurem a unidade básica de saúde (UBS) mais próxima. A vacina contra a poliomielite está disponível para todas as crianças de 1 a 4 anos.

A Secretaria de Saúde de Roraima informou que tomou conhecimento de um caso de paralisia flácida aguda em Rorainópolis no último dia 28. "Toda Paralisia Flácida Aguda em menores de 15 anos deve ser notificada e investigada como parte da rotina do monitoramento da circulação de poliovírus no Brasil", informou a pasta.

A paciente, continuou a pasta, tem 14 anos de idade e recebeu sete doses da vacina oral de poliomielite. A secretaria informou que ela está internada em processo de investigação da causa da paralisia no Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento, em Boa Vista. A investigação do caso está sendo conduzida pela Vigilância Epidemiológica de Rorainópolis.

Mais de 11 milhões de crianças ainda não tomaram vacina contra poliomielite. Como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo no início da semana, a menos de duas semanas do fim da campanha nacional contra a poliomielite, cerca de 11 milhões de crianças não haviam recebido a vacina contra a doença até a segunda-feira, 29 - só 22,1% do público-alvo.

Médicos alertam para os riscos de volta da paralisia infantil diante do registro de novos casos no exterior, incluindo países como Estados Unidos e Israel.

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Não é só talco; outros produtos do seu dia a dia também podem ser tóxicos - VivaBem

A Johnson & Johnson anunciou, recentemente, que vai parar de vender no mundo inteiro o pó de talco para bebês, produto tradicional da marca, e migrará seu foco para um produto à base de amido de milho. O motivo foram dúvidas levantadas sobre a segurança da mercadoria e a falta de interesse do público.

Algumas das mais de 40 mil ações judiciais afirmam que o talco da marca, feito de um mineral de origem secundária a partir de silicato de magnésio hidratado, pode causar inflamações e gerar câncer, enquanto outras afirmam que o produto tem amianto, substância também relacionada à doença.

Mas o talco está longe de ser o único produto relacionado a possíveis elementos tóxicos.

Panelas antiaderentes

A maioria das panelas antiaderentes é feita de teflon, nome comercial do polímero sintético politetrafluoroetileno (PTFE). Esse material está associado ao ácido perfluorooctanoico (PFOA), uma substância tóxica à nossa saúde que está vinculada ao câncer de rim e testículo, doença da tireoide, colesterol alto, colite ulcerativa e pré-eclâmpsia (hipertensão induzida pela gravidez).

Termômetros de mercúrio

Por mais que a quantidade de mercúrio presente nos termômetros de vidro seja bem pequena (2g), a Anvisa proibiu sua fabricação, importação e comercialização em março de 2018. Isso porque o contato com o metal (quando o vidro é quebrado), seja por inalação ou contato direto, representa riscos à saúde. Ele está associado a sintomas mais leves como febre, náuseas e dores de cabeça, mas também pode comprometer rins, fígado, pulmão e cérebro.

Protetor solar com oxibenzona

A oxibenzona é um composto químico orgânico que pode ser encontrado em diversos cosméticos, como protetores solares e hidratantes com FPS, porque absorve os raios UVA e UVB. No entanto, a substância está ligada a disfunções hormonais, reações alérgicas, mutação celular, entre outros.

Potes plásticos

Não somente potes plásticos, mas também garrafas, brinquedos, entre outros, podem ter em sua composição bisfenol A (BPA).

Essa é uma substância que, quando aquecida ou em contato com algum alimento quente, é liberada e pode causar riscos à saúde, como diminuição na produção de espermatozoides, desenvolvimento de cistos nos ovários, problemas gastrointestinais e malformações no embrião, no caso de grávidas.

Xampu com parabenos

Os parabenos podem ser encontrados em xampus e condicionadores, cremes dentais e cosméticos. Eles são conservantes químicos usados na prevenção do crescimento de fungos e bactérias nesses produtos.

Além de alergias e irritações na pele, a substância pode causar alterações hormonais, problemas no sistema nervoso central, infertilidade, câncer de mama, de útero ou de próstata.

Amianto

O amianto é um minério encontrado amplamente na natureza e muito usado na indústria de construção civil. Ele pode ser achado em aquecimento domiciliar, paredes drywall, toras artificiais de lareiras, brinquedos, entre diversos outros.

Sua exposição pode causar diversos danos à saúde, como câncer de laringe, do trato digestivo, pulmão e de ovário, espessamento na pleura e diafragma, derrames pleurais, placas pleurais e severos distúrbios respiratórios.

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Thursday, September 1, 2022

O exame de urina que todo diabético precisa fazer - Internet Group

O exame de urina é importante para o diabético
Arquivo pessoal
O exame de urina é importante para o diabético

Um problema sério e grave que poderia ser prevenido com um simples exame de urina , mas infelizmente muitas pessoas, no caso a maioria, não sabem da existência e da importância. Quem convive com diabetes , além de ter o desafio diário de manter a glicose controlada na maior parte do tempo, também tem a missão de evitar as complicações causadas pelo diabetes descompensado. E mesmo quando o resultado da hemoglobina glicada está bom é preciso ficar atento e investigar se os rins não estão sendo afetados.

Estima-se que  um em cada três pessoas com diabetes tem doença renal crônica .

Essa doença que acomete os rins, órgão que funciona como o filtro do nosso corpo, é silenciosa . Por isso a realização de um exame simples é tão importante para evitar o problema que em casos mais sérios pode levar à dialise . Aliás, no mundo o diabetes é a principal causa de doença renal crônica dialítica, ou seja, que a pessoa já está com grande parte das funções dos rins comprometida e necessita de hemodiálise.

Segundo a nefrologista Bianca Bastos, cerca de 30% das pessoas em dialise no Brasil convivem com diabetes tipo 1 ou tipo 2. "A gente poderia prever esses casos fazendo um exame simples de dosagem de Albuminúria na urina", afirma a especialista.

Estima-se que um em cada três pessoas com diabetes tem doença renal crônica
Arquivo pessoal
Estima-se que um em cada três pessoas com diabetes tem doença renal crônica

A albuminúria investiga à presença de albumina no xixi, uma proteína que possui várias funções no organismo e só é encontrada na urina quando existe alguma alteração nos rins. Além do problema renal crônico, a nefrologista explica que a perda de albumina também é um marcador importante para outros riscos. "A pessoa que perde albumina tem um risco maior de ter uma complicação vascular como infarto ou derrame, antes mesmo de precisar de diálise."

Entre outras causas da albumina na urina estão obesidade e hipertensão .

A médica especialista em rins esclarece que esse exame de Albuminúria é oferecido no Sistema Único de Saúde e, mesmo no setor privado, o custo não passa de R$ 50.

Para mais informações o diabetes acesse o portal Um Diabético . conteúdo completo sobre Diabetes e os cuidados com os rins você assiste no vídeo abaixo.

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Má alimentação e excesso de peso são maiores causas de hipertensão infantil - VivaBem

A falta de atividade física, a alta adesão a dietas ricas em sal e açúcar e o excesso de peso estão relacionados à pressão alta em 9 de 10 casos observados em crianças e adolescentes, de acordo com estudo publicado por especialistas da Sociedade Europeia de Cardiologia, no European Heart Journal.

O documento, divulgado no final de julho, apresenta dados de crianças e jovens entre 6 e 16 anos e recomenda mudanças de hábitos para que as famílias fiquem saudáveis juntas. Segundo os autores, os pais são agentes importantes e fundamentais para que essa mudança ocorra.

A identificação da hipertensão arterial em jovens é complexa e envolve parâmetros e padrões que divergem de acordo com o médico. Por conta disso, especialistas em cardiologia fizeram uma revisão da literatura e das evidências atuais para compilar e tentar se aproximar de um consenso.

"Existiam diretrizes de diversas sociedades médicas, mas esse assunto nunca tinha sido muito normatizado. Então, eram entendimentos diferentes. Esse documento vai facilitar o diagnóstico e o tratamento de crianças e adolescentes de forma mais padronizada", explica Gustavo Foronda, cardiologista pediátrico do Hospital Israelita Albert Einstein.

Antigamente, segundo o especialista, os fatores de risco cardiovascular na infância não eram muito valorizados pelos profissionais de saúde. Dessa forma, a pessoa só começaria algum tratamento na idade adulta, provavelmente, e quando alguma comorbidade já estivesse instalada.

"Esse conceito foi mudando totalmente com o passar dos anos. A gente sabe que toda e qualquer doença cardíaca no adulto começa na faixa etária pediátrica: hipercolesterolemia, hipertensão, obesidade. Tudo isso leva a um risco cardiovascular maior no adulto se você não tratar na infância", alerta Foronda.

Estima-se que 2% das crianças com peso normal sejam hipertensas, contra 5% das crianças com sobrepeso e, entre as com obesidade, o índice chega a 15%. O consenso se refere à hipertensão e a obesidade infantil como "irmãos traiçoeiros" que gradualmente se tornam um sério risco à saúde.

Além disso, o artigo também afirma que a hipertensão e a obesidade no público infantil estão se tornando cada vez mais comuns (especialmente a obesidade abdominal, a mais perigosa para a saúde do coração).

"Hoje, qualquer criança ou adolescente vai na cantina da escola e compra o que quer. Isso obviamente permite que eles escolham uma alimentação mais palatável, que é o fast food. Nitidamente temos uma piora alimentar muito grande nos últimos anos e, por isso, os níveis de obesidade estão explodindo. Consequentemente os níveis de pressão arterial também", alerta o cardiologista.

Diagnóstico precoce

De acordo com os especialistas, o diagnóstico precoce da hipertensão infantil é fundamental para que ela possa ser controlada apenas com mudança no estilo de vida, sem a necessidade do uso de medicamentos. Por se tratar de um problema assintomático e silencioso, é recomendado que a pressão arterial da criança seja avaliada ao menos uma vez por ano na consulta com o pediatra.

Os níveis pressóricos ideais não são como nos adultos - existem níveis estabelecidos para cada faixa etária, de acordo com a superfície corpórea e com a circunferência do braço da criança. Para chegar ao valor correto, é preciso medir de forma adequada (não adianta ir medir na farmácia da esquina de casa, por exemplo).

"Existe uma tabela para determinar os níveis pressóricos adequados para cada momento da vida. Idealmente, o clínico ou o pediatra devem medir a pressão da criança nas consultas de rotina. A gente sabe que isso não é uma prática regular, mas cada vez mais eles estão se conscientizando dessa necessidade", diz Foronda.

Segundo o cardiologista, a Academia Americana de Pediatria preconiza que essas medidas comecem a ser avaliadas em todas as crianças a partir dos 3 anos de idade.

Mudança no estilo de vida

Se houver uma suspeita de que o estilo de vida é o grande causador da hipertensão, a primeira orientação é mudar os hábitos de vida e isso envolve não apenas a criança, mas o estilo de toda a família. Isso porque muitas vezes a pressão alta e a obesidade coexistem no mesmo núcleo familiar.

"Não adianta a gente querer mudar os hábitos de uma criança isoladamente. Em geral, quando você tem uma criança sedentária, obesa ou hipertensa, normalmente isso é um reflexo da família. Se não tratar a família como um todo, a chance de a criança aderir às mudanças é muito baixa", diz Foronda.

As recomendações dietéticas incluídas no estudo publicado pela Sociedade Europeia de Cardiologia incluem: enfatizar uma alimentação rica em vegetais frescos, frutas e alimentos ricos em fibra; limitar a ingestão de sal; e evitar o consumo de açúcar, bebidas açucaradas e gordura saturada.

Além disso, os cientistas destacam a importância da realização de ao menos uma hora de atividade física moderada a intensa por dia (como andar de bicicleta, fazer natação ou correr) e não passar mais de duras horas em atividades sedentárias (como assistir TV, jogar videogame ou ficar no tablete e celular).

O documento também orienta que devem ser estabelecidas metas realísticas para a perda de peso, dieta e atividade física - sempre concentrando os esforços nos aspectos que precisam de mais melhorias. O consenso dos médicos sugere, ainda, que os avanços na evolução da perda de peso, da melhora dos hábitos alimentares e da realização de atividades físicas sejam registrados para o acompanhamento do progresso.

"A grande dificuldade de tratar a hipertensão na infância é que precisamos tratar em conjunto a obesidade e o sobrepeso. A hipertensão é uma doença silenciosa que não causa nenhum malefício aparente. É preciso mudar o estilo de vida de toda uma família para o tratamento. Isso leva tempo e muitas vezes não temos uma resposta rápida", finalizou.

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Tipo sanguíneo influencia risco de AVC; veja quais são os mais vulneráveis - Correio Braziliense

Correio Braziliense

postado em 01/09/2022 06:00

 (crédito: pxhere/Divulgação)

(crédito: pxhere/Divulgação)

O tipo sanguíneo de uma pessoa pode estar ligado ao risco de derrame precoce, de acordo com uma nova meta-análise liderada por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland. Os resultados foram publicados na revista Neurology e incluem os dados disponíveis de 48 estudos genéticos com foco em acidentes vasculares cerebrais isquêmicos em adultos com menos de 60 anos.

A meta-análise incluiu 17 mil pacientes com AVC e quase 600 mil controles saudáveis, que nunca sofreram um evento do tipo. Os cientistas analisaram todos os cromossomos coletados para identificar variantes genéticas associadas a um acidente vascular cerebral e encontraram uma ligação entre a ocorrência antes dos 60 anos e a área cromossômica onde fica o gene que determina se um tipo sanguíneo é A, AB, B ou O.

O estudo descobriu que as pessoas com AVC precoce eram mais propensas a ter o tipo sanguíneo A. Já aquelas com o tipo O, o mais comum, pareciam mais protegidas. Tanto o derrame cerebral antes dos 60 anos quanto o tardio eram mais prováveis de ocorrer em indivíduos com sangue B, em comparação com os controles. Após o ajuste para sexo e outros fatores, os pesquisadores descobriram que aqueles com tipo A tinham um risco 16% maior de sofrer um acidente vascular cerebral precoce do que os demais.

"Ainda não sabemos por que o tipo sanguíneo A confere um risco maior, mas provavelmente tem algo a ver com fatores de coagulação do sangue, como plaquetas e células que revestem os vasos sanguíneos, bem como outras proteínas circulantes, que desempenham um papel importante. papel no desenvolvimento de coágulos sanguíneos", disse Steven J. Kittner, dos autores. "Claramente, precisamos de mais estudos de acompanhamento para esclarecer os mecanismos do aumento do risco de acidente vascular cerebral" , acrescentou.

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Reino Unido recomenda transplante fecal para tratar bactéria resistente - Canaltech

Para controlar casos de infecções causadas pela bactéria resistente Clostridium difficile, as autoridades de saúde do Reino Unido começam a recomendar o transplante fecal como tratamento. Apesar do nome, o paciente que é submetido ao procedimento não recebe as fezes de um doador, mas, sim, as bactérias do "bem" presentes no cocô de quem doou a amostra.

A recomendação oficial do transplante de microbiota fecal foi anunciado pelo Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados (Nice, na sigla em inglês) nesta semana. Só estão aptos a passarem pelo procedimento pacientes que tiveram dois ou mais quadros de diarreia provocados pela bactéria.

Reino Unido indica transplante fecal para tratar caso de pacientes com bactérias que resiste aos antibióticos comuns (Imagem: Ktsimage/Envato Elements)

Com a atual recomendação — que ainda é restrita para a população britânica —, o Nice espera realizar entre 450 e 500 transplantes fecais apenas na Inglaterra. A medida deve gerar economia no orçamento da saúde pública local, já que irá reduzir o uso de antibióticos.

Como é feito o transplante fecal?

Vale explicar que o transplante da microbiota fecal é feito através de diferentes procedimentos, como uma endoscopia. Isso significa que as bactérias são introduzidas no paciente pelo nariz ou pela boca. Também é possível que os médicos optem por uma colonoscopia (através do ânus) ou com pílulas preparadas em laboratório.

Existe o tratamento no Brasil?

No Brasil, transplantes de bactérias presentes nas fezes são considerados um tratamento experimental, segundo apuração da rede BBC. Em outras palavras, somente são feitos quando outras opções já reconhecidas não geraram o resultado esperado.

Solução contra resistência de bactéria aos antibióticos

A Clostridioides difficile não é uma simples bactéria. Este agente infeccioso é considerado uma bactéria resistente — popularmente, é uma superbactéria — e tende a se manifestar após o uso excessivo ou incorreto de antibióticos por parte dos pacientes, o que permite a seleção de cepas que não respondem aos tratamentos convencionais.

"O uso deste tratamento [transplante fecal] também ajudará a reduzir a dependência de antibióticos", explica Mark Chapman, diretor de tecnologia médica do Nice, sobre a recomendação. "E isso, por sua vez, permite diminuir os riscos de resistência antimicrobiana", completa.

Para além da C. difficile, a resistência antimicrobiana está entre as principais causas de morte no mundo, segundo a Pesquisa Global sobre Resistência Antimicrobiana (Gram). Pelo menos 1,2 milhão de pessoas morreram, oficialmente, em 2019 como resultado direto dessas infecções. Com a pandemia da covid-19, estes números podem estar ainda mais elevados.

Fonte: BBC  

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'Fui desenganada, saí da UTI tetraplégica e hoje corro o dia todo nos eventos que produzo' - Marie Claire Brasil

Claudia Sayuri Kojima (Foto: Arquivo Pessoal)

Claudia Sayuri Kojima em foto de agosto de 2022 (Foto: Arquivo Pessoal)

"Sou chef de cozinha e empreendedora na área de gastronomia. Meu marido, Flávio, também é chef e trabalhávamos juntos quando começou a pandemia. Na verdade, a gente trabalhava tanto que nem percebi que estava rolando algo tão sério. No restaurante, tinha contato com muita gente. E, não sei exatamente como ou quando, mas acabei me infectando.

Era março de 2020, e a gente nem sabia que precisava usar máscara e álcool em gel. Depois do carnaval, quando o comércio começou a fechar as portas, nos trancamos em casa, conforme orientação da Anvisa. Foi quando comecei a me sentir estranha. Pensava ser minha rinite alérgica atacada, e comecei a me medicar. Mas, diferentemente das outras crises, não melhorei. Ao contrário, sentia cada vez mais cansaço. Então, fui fazer uma tomografia com um médico amigo da minha sogra. Quando viu o exame, ele deu um passo para trás. ‘Acho que você está com covid’, disse. Me assustei, mas o pior ainda estava por vir: ‘Seus pulmões estão 30% comprometidos’.

Fiquei meio amortecida, não sabia o que esperar dessa doença. Ele mandou eu ir para a casa, me isolar, e voltar em dois dias para uma nova tomografia. Passei o fim de semana deitada, não conseguia comer nem tomar banho. Sentia como se o ar não entrasse em meu corpo. Cheguei para o novo exame ainda pior. Apavorado, o médico disse: ‘Seus pulmões estão 70% comprometidos’.

Claudia Sayuri Kojima e o filho, Arthur (Foto: Arquivo Pessoal)

Claudia Sayuri Kojima e o filho, Arthur (Foto: Arquivo Pessoal)

A internação deveria ser imediata, mas fui teimosa. Se tinha que me internar, que fosse em Mogi das Cruzes (SP), onde nasci. ‘Se eu morrer, morro perto da minha família’, pensava. Na manhã seguinte, minha irmã, que é fisioterapeuta, me ligou. Taxativa, disse: ‘Ou você vai para o hospital mais perto, ou talvez não dê mais tempo’.

+ Eu, Leitora: Mãe foi atropelada para salvar a filha; 5 histórias de quem escapou da morte

Em 30 de março de 2020, dei entrada no Hospital Emílio Ribas, especializado em infectologia. Fui direto para a UTI. Um teste de covid confirmou o diagnóstico: eu era mesmo uma das primeiras infectadas no Brasil. Sem muita noção do que estava acontecendo, recebia enfermeiros a cada duas horas para medir minha oxigenação. 

No dia 4 de abril, chegou a notícia que mais temia: teria que ser entubada, e entraria então em coma induzido. Meu filho, Arthur, faria 6 anos no dia seguinte, e eu não estaria lá. Mas aceitei a entubação, não tinha o que fazer. Só quando o processo começou, a ficha caiu. ‘Espera mais dois minutinhos’, repetia amedrontada para a equipe, como se pudesse adiar o inadiável.
Duas semanas depois, testei de novo e já não estava mais com covid. Mas meu calvário estava só começando.

"Convencidos de que eu não resistiria, os médicos chamaram o meu marido para uma conversa. Pediram para ele preparar nosso filho para o pior"

 

Quando foram me desentubar, tive algo que os médicos acreditaram ser um AVC. Com o cérebro inchado, decidiram me manter entubada e fizeram uma traqueostomia. Foram 52 dias no coma mais profundo que existe. Tive três arritmias e na terceira meu coração chegou a 200 pulsações. Quase me fui. Como a equipe não sabia o que fazia efeito, me tornei instrumento de estudos. Tomei todos os remédios que se pode imaginar e, com isso, meu fígado ficou comprometido. Precisei então fazer 12 diálises e três transfusões de sangue.

 Claudia Sayuri Kojima (Foto: Arquivo Pessoal)

Claudia Sayuri Kojima com o marido, Flávio, e o filho, Arthur, durante sua recuperação (Foto: Arquivo Pessoal)

Convencidos de que eu não resistiria, os médicos chamaram o meu marido para uma conversa. Pediram para ele preparar nosso filho para o pior. Achavam pouco provável que eu saísse de lá com vida. Em seguida tive uma infecção hospitalar com febre altíssima. Já estavam quase jogando a toalha, mas não desistiram de mim. Naquele momento, tomaram a providência que seria o início do fim. Me deixaram em uma sala gelada para resfriar meu corpo, onde bebês com febre alta são tratados durante, no máximo, um dia. Fiquei três ou quatro, mas finalmente reagi. Voltei para a UTI.

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Poucos dias depois abri os olhos durante um exame. Estava acordada, mas não tinha noção de nada. Era como se meu cérebro estivesse totalmente desligado do corpo. Chamaram Flávio de novo, mas as notícias não eram tão melhores assim. Provavelmente, eu voltaria para casa um dia, mas muito diferente do que entrei. Talvez vegetando e por tempo indeterminado.
A partir dali, começou um trabalho de estimulação para que eu voltasse. Os médicos faziam testes, mexiam comigo. Mas eu não respondia. Minha família mandava mensagens de voz para que eu escutasse. Até que em um domingo, Dia das Mães, ouvi uma voz bem de longe perguntando o nome do meu filho. De alguma forma, aquilo me despertou. Olhei para a doutora e pude ver ela comemorando com a equipe: ‘Ela está enxergando a gente’, dizia. Caí no choro. E chorei igual a um bebê.

Minha mente ia e voltava durante o restante da internação. Alternava momentos de consciência e inconsciência. Durante todo o coma, lembro que havia sempre duas pessoas comigo. Nem boas nem más, mas que estavam o tempo inteiro ali e não eram da equipe do hospital. Para mim, era como se eu estivesse vivendo uma vida paralela. ‘Fui’ a vários lugares, me vi inclusive no necrotério que fica em frente ao hospital. Olhava pela janela daquele lugar mórbido e via o Flávio e alguns amigos na rua. Implorava para eles me tirarem de lá. Em outros momentos, tentavam me deixar viva em uma sala onde ficavam as pessoas mortas.

"Após 65 dias internada, finalmente recebi alta. Só que não mexia nada do pescoço para baixo e ninguém sabia se eu voltaria a andar"

 

Sempre fui espírita, mas me assumi na religião mesmo pouco antes da covid. Durante meu coma, Flávio ia ao centro espírita participar de orações por mim. Lá diziam que eu estava bem e não queria voltar. Mas o que entendi depois é que, para mim, eu tinha esquecido que estava em coma, e estava em outro lugar, vivendo outras coisas – de fato como em uma realidade paralela. Pensava estar enlouquecendo. Era desesperador. Uma mistura de experiência espiritual com alteração psicológica de quem está voltando de uma sedação muito forte.

Enquanto estive internada, Flávio foi todos os dias ao hospital. Sem poder me ver, ficava na porta para receber notícias. E precisou parar de trabalhar para cuidar de mim e do nosso filho.
Em 3 de junho, após 65 dias internada, finalmente recebi alta. Só que não mexia nada do pescoço para baixo e ninguém sabia se eu voltaria a andar. Flávio foi me buscar bem cedo. ‘Será que um dia vou poder dirigir?’, perguntei na saída. Pensava que se ficasse paraplégica estava ótimo, porque sei que existem carros adaptados. Mas tetraplégica, não. Na verdade, o que eu queria era ter a sensação de liberdade.

Claudia Sayuri Kojima com o marido, Flávio, e o filho, Arthur (Foto: Arquivo Pessoal)

Claudia Sayuri Kojima com o marido, Flávio, e o filho, Arthur (Foto: Arquivo Pessoal)

O caminho para casa foi difícil. Me sentia muito fraca, tivemos que parar algumas vezes. Pesava 40 quilos, 20 a menos do que quando fui internada, e usava fralda. Meu marido chegou a perguntar se eu queria voltar para o hospital, mas nem cogitei fazer isso. Estava morrendo de saudade do meu filho. Tinha falado com ele pela primeira vez apenas dois dias antes da alta.

Chegamos em casa e Arthur nem me deixou sair do carro. Correu, me abraçou e deitou no meu colo. Se jogava em cima de mim, que chorava e repetia: ‘Te amo, te amo’. O impacto de me ver naquela situação também deixou sequelas nele. Meu filho ficou ansioso e passou a dormir comigo todas as noites, com medo de que eu fosse embora. Ajudava a cuidar de mim, empurrava minha cadeira de rodas e achava graça por eu usar fraldas. Por um tempo, tive que receber comida na boca de Flávio, que me limpava e me dava banho. Com uma paciência que emocionava.

Na semana seguinte à alta, comecei minha reabilitação na Santa Casa, tudo pelo SUS. Me surpreendi ao ver como o sistema brasileiro é incrível, com tantas pessoas maravilhosas. É por causa deles que hoje estou aqui. Pela dedicação de todos, que nunca desistiram de mim.
Consegui ficar em pé de verdade e dar meus primeiros passos no final de setembro, infinitamente mais rápido do que as previsões mais otimistas dos médicos. Até hoje choro ao ver o vídeo da minha breve caminhada. Durante o tratamento, tentava não pensar no amanhã. Apenas fazia o que tinha que ser feito. Sem pressa. Isso ajudou demais na rápida recuperação. Mas não só. Estava feliz. Andar de carro e olhar o céu era, para mim, um presente. Não tinha lugar para pensamentos ruins.

Para recuperar os movimentos das mãos, brincava de massinha com o Arthur. Até que cansei e decidi fazer croquetas espanholas com meu marido. Ele fazia e eu enrolava. Começamos a vender na internet e, além de gostar da receita, as pessoas compravam para nos ajudar. Assim, entre uma encomenda e outra, fui ganhando movimentos e voltando, aos poucos, à ativa. Passei a aceitar alguns trabalhos, uma festa aqui, um jantar ali, até pegar grandes eventos. Mas não quero nunca mais trabalhar tão intensamente como antes, quando ficava no mínimo dez horas no restaurante. Quero mais tempo para mim.

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Os médicos descobriram que o que eu tive não foi AVC, mas uma encefalite cerebral, que deixou um pedacinho do mesencéfalo necrosado. Por isso, hoje, tenho a memória mais fraca. Além disso, me canso muito mais rápido, física e mentalmente. Acredito que se não tivesse pegado covid, outra coisa que me fizesse botar um freio na vida teria acontecido. Agora, consigo ver um lado bom em tudo isso. Sou uma pessoa muito mais centrada e que não guarda as coisas para si. Recentemente, voltei ao Emílio Ribas e os médicos me disseram que salvaram muita gente graças aos experimentos que fizeram no meu corpo.

Estou envolvida em toda a logística do nosso novo estabelecimento, uma casa de vinhos. Também temos um bufê e Flávio é chef executivo de um grupo de restaurantes. Mas não trabalho mais no ritmo de antes. Também não penso tanto no futuro, aprendi a viver o presente. Quero voltar a viajar, visitar países que não conheço, ter uma vida equilibrada novamente – tanto de saúde quanto financeiramente. Mas acho que o que quero mesmo é não ter medo. Acredito que vivi um milagre. Agora, quero só ser feliz.”

Claudia Sayuri Kojima (Foto: Arquivo Pessoal)

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