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Thursday, February 24, 2022

'Não pode se envolver': como quem trabalha com mortos cuida da saúde mental - VivaBem

Quem vê a alegria e o entusiasmo da catarinense Aline Kardauke, 31, ao falar sobre o seu trabalho, nem imagina sua profissão: auxiliar de medicina legal. Entre as suas principais funções estão remoção, transporte, retirada de roupas, limpeza do corpo, abertura das cavidades, sutura (pontos cirúrgicos) e liberação do cadáver. Em outras palavras, ela é uma das pessoas responsáveis pelo cuidado do corpo.

Ao atender o telefone, Aline começou contando que descobriu a medicina legal em 2010, enquanto finalizava um curso técnico de radiologia. Nesse mesmo ano, abriu um concurso público para auxiliar e ela não pensou duas vezes.

"A partir do momento que sou acionada pela polícia, eu me desloco com o rabecão, o carro onde transportamos os corpos, vou até o local da ocorrência, auxílio o instituto de criminalística, pego todas as informações, porque eu que vou fazer a ponte dessas informações para o perito médico-legista. Depois, recolho o cadáver, coloco no rabecão e me desloco até o necrotério", descreve.

Atualmente ela trabalha em uma escala de 24h por 72h. - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal

Atualmente ela trabalha em uma escala de 24h por 72h.

Imagem: Arquivo pessoal

Ela descarrega o corpo, tira fotos, retira as vestes, lava, coleta sangue, urina. "Nesse momento eu já estou na presença do médico-legista, que diz quais cavidades preciso abrir —que pode ser tórax, abdome, crânio—, isso varia conforme o tipo da ocorrência", conta.

Em seguida, vem uma das partes que Aline considera as mais difíceis: conversar e liberar o corpo para a família. "Tem que ter muita empatia porque cada família reage de uma forma ao óbito", diz, lembrando que qualquer reação adversa não deve ser levada para o lado pessoal.

"Ninguém quer ver a gente, né", diz ela, que costuma compartilhar a sua rotina com vídeos no TikTok, onde já acumula mais de 210 mil seguidores.

Apesar de trabalhar com a morte diariamente, Aline diz que não faz terapia e que encarar o dia a dia como um ofício ajuda. "Tem que gostar do que faz, senão você não aguenta. Não existe dinheiro no mundo que pague entrar no meio do mato onde o rabecão não entra, num frio do caramba e com chuva, para transportar um cadáver".

Para ela, encarar a morte como ela de fato é facilita seu trabalho. "Eu não vejo mais aquele corpo como uma pessoa, eu vejo como uma matéria da qual eu tenho que respeitar muito, porque alguém já amou, porém é uma matéria sem vida", diz.

Isso não quer dizer que ela não tenha se comovido com várias situações. "Entretanto, elas nunca me impediram de eu realizar o meu trabalho e que eu evoluísse com ele".

A auxiliar de medicina legal só lamenta que essa seja uma área invisível e ainda muito desvalorizada, mas afirma que sabe o valor da sua profissão. "Eu não preciso de um feedback verbal porque sei que no fundo eu estou ajudando a família. E quando tive esse entendimento, mudei de pensamento em relação a essas coisas".

"O que mexe com a gente é a história"

Há mais de 20 anos, ele é funcionário público de Santo André, no ABC paulista - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal

Há mais de 20 anos, ele é funcionário público de Santo André, no ABC paulista

Imagem: Arquivo pessoal

Ao contrário de Aline, que escolheu a profissão, o objetivo inicial do agente funerário Jairo Teodoro, 51, era apenas conseguir passar em um concurso público. Ele conseguiu, mas não para a área que queria. Por isso, a ideia era começar o trabalho e depois migrar para outro departamento. Nisso já se foram 20 anos.

"É maldição isso aqui, quem entra não consegue sair mais", diz, aos risos, contando um pouco de sua rotina. "Eu faço tanto a remoção da pessoa que morreu em um apartamento quanto em via pública ou em hospital. E também fazemos o serviço do IML [Instituto Médico Legal] para os velórios. Cada lugar é de um jeito, aqui isso tudo é responsabilidade do serviço funerário municipal", explica.

Na prática, entre suas principais funções estão a remoção do corpo, higienizar, preparar para o velório. Tudo isso em uma escala noturna de 12/36, ou seja, uma noite sim e outra, não.

Para Teodoro existem duas situações que são mais difíceis do que lidar com os corpos em si. Umas delas é conseguir remover o corpo em locais de difícil acesso, onde o carro não entra, como em comunidades periféricas ou em mata fechada. "Eu sempre falo para quem está entrando agora para tentar não se envolver. Entra, faz o seu trabalho e vai embora", relata.

"Eu já cheguei para retirar vários corpos de uma mesma família que um ex-marido matou, e quando entrei as crianças estavam em cima dos corpos chorando", conta. "É uma coisa que choca demais. Ninguém vê. São histórias nossas".

Para ele, um tratamento psicológico contínuo deveria ser uma regra para todos que atuam em profissões semelhantes, mas ele também não faz acompanhamento. "A nossa profissão é muito mais invisível do que se imagina, prova disso foi a pandemia de covid-19. Os hospitais de Santo André ligavam para nós desesperados, porque eles não tinham onde botar os corpos. A minha equipe chegou a recolher 20 corpos em uma noite", desabafa.

Teodoro conta que lidar com o corpo de crianças que morreram em acidentes domésticos, vítimas de acidentes de trem, casos de jovens suicidas, é sempre muito difícil - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal

Teodoro conta que lidar com o corpo de crianças, vítimas de acidentes de trem, casos de jovens suicidas é sempre muito difícil

Imagem: Arquivo pessoal

Qualquer profissão precisa de acompanhamento psicológico

Todos os profissionais, independentemente da profissão, deveriam ter acompanhamento psicológico. "Porque qualquer profissão que a gente exerça representará algum nível de impacto na nossa saúde mental", diz Erasmo Miessa Ruiz, psicólogo, professor da UECE (Universidade Estadual do Ceará), especialista em tanatologia (estudo científico da morte) e bioética.

No caso específico dos agentes funerários, auxiliares de necropsia, médicos legistas, que lidam diariamente com intenso desgaste físico e emocional, esse cuidado é ainda mais necessário.

"Lidar com a morte é algo que pode ser muito estressante para a maioria das pessoas, e pode representar dificuldades intensas de adaptação no começo", avalia o professor da UECE, acrescentando, porém, que essas dificuldades podem ser superadas posteriormente, sobretudo, com auxílio psicológico.

Lidar com o luto dos outros também não é uma tarefa fácil. Tania Alves, coordenadora do Ambulatório de Luto do IPq-HC (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo), ressalta que pessoas que trabalham com corpos são vistas como "representantes" diretos da morte. "Então, aquele medo que a pessoa tem da morte é transferido para o agente funerário. É um deslocamento do medo da morte", define.

Além disso, pesa a questão de a pessoa estar lidando com um aspecto da vida que nem ela mesma, muito provavelmente, estaria preparada emocionalmente para lidar, segundo Ruiz.

Para ele, determinados traços de personalidade podem favorecer ou dificultar algumas práticas de trabalho. "E o desafio que será colocado é a capacidade que cada pessoa terá de se adaptar ao que é exigido para a função", diz.

O que fazer para lidar com o luto que não é seu?

Primeiro, é preciso tentar diferenciar o trabalho da vida pessoal. "E também ter um grau de saúde mental que seja possível levar a rotina", indica a coordenadora do IPq. Mesmo assim há trabalhos que lidam com o inesperado, por isso, nem sempre é possível permanecer blindado. "Evitar de sentir não tem como", afirma Alves.

A dica é aceitar que somos humanos e respeitar o próprio tempo, tendo em mente que a morte pode chegar de uma forma horrível, simples ou inusitada.

Natália Santana, psicóloga especializada em luto, cerimônias e rituais fúnebres, explica que lidar com a morte todos os dias leva os profissionais para um lugar conhecido, o que tende a facilitar a rotina e lidar com opiniões alheias. "As perguntas e a curiosidade dos outros fazem parte, porém mostrar respeito pelas histórias que conhecemos e pela profissão que escolhemos inibe alguns comentários indesejados", diz.

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Se você usa óleos vegetais na comida, conheça seus riscos para a saúde - Edital Concursos Brasil

As gorduras e óleos costumam ser alvo constantes de críticas e discussões dentro do mundo da nutrição. De um modo geral, a gordura animal acabou sendo colocada de lado nos últimos anos. Isso aconteceu por acusações de que ela era prejudicial à saúde e ajuda a aumentar os níveis de colesterol do corpo. Diante disso, os óleos vegetais ganharam cada vez mais espaço nas cozinhas pelo mundo inteiro.

Veja também: Diabéticos podem comer queijo? Descubra se alimento traz benefícios ao grupo

Primeiramente, entenda que de fato a gordura em excesso é prejudicial e isso está mais do que comprovado. Contudo, a gordura animal não oferece esse perigo tudo, pois existe um limite para que possa ser consumida de maneira saudável. Ninguém duvida, por exemplo, que a manteiga é bem mais saudável do que a margarina.

Ainda assim, os óleos vegetais foram difundidos amplamente. O problema é que os itens mais comuns, como o óleo de soja ou de milho, por exemplo, permanecem no estado líquido em temperatura ambiente. Isso faz com que alguns produtos alimentícios não possam se beneficiar de elementos assim, pois precisam de certa rigidez.



Gordura vegetal hidrogenada

A fim de encontrar uma solução para a questão apresentada, surge o processo de hidrogenação. De forma bem simples, seria como adicionar hidrogênio aos ácidos graxos dos óleos e assim conseguir modificar a estrutura. Dessa forma, os óleos conseguiram ficar mais saturados (sólidos) em temperatura ambiente, sem que o custo subisse muito.

Dessa forma são criadas as gorduras hidrogenadas e chocolates hidrogenados, por exemplo. O problema é que esse processo acaba gerando ácido graxo trans, ou gorduras trans. Esse tipo de gordura já foi considerado a principal inimiga da saúde.  O seu consumo acarreta o aparecimento de doenças cardiovasculares graves, conforme diversos estudos comprovaram ao longo das últimas décadas.



Teor médio de gordura trans é menor do que 2%

Com as restrições pautadas nas advertências da saúde, a indústria precisou eliminar a gordura trans dos produtos. Isso fez com que, de acordo com dados do governo de 2015, o teor de gordura trans nos alimentos fosse menor do que 2%.

Sempre leia as informações nutricionais para evitar comprar qualquer produto que tenha gordura trans. Tente também diminuir o consumo de gorduras saturadas.

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Saúde confirma mais 15 óbitos por Covid em MS e aponta quatro vítimas de Dourados - Dourados News

Mato Grosso do Sul confirmou mais 15 óbitos causados pela Covid-19 no boletim epidemiológico divulgado nesta quinta-feira (24) pela Secretaria de Estado de Saúde. Quatro dessas mais recentes vítimas da doença residiam em Dourados, maior e mais populosa cidade do interior sul-mato-grossense. 

No município, uma mulher de 76 anos, com doença cardiovascular crônica e doença neurológica crônica, faleceu na terça-feira (22). Uma idosa de 83 anos, com diabetes e doença cardiovascular crônica, morreu na quarta-feira (23). Outra, de 87 anos, faleceu no dia 19. Ela tinha diabetes, doença cardiovascular crônica e doença neurológica crônica. Um homem de 68 anos, sem comorbidades, havia falecido no dia 2.

Outros municípios que perderam vidas para a doença, conforme o boletim epidemiológico, foram Amambai (3), Campo Grande (2), Aquidauana (1), Bataguassu (1), Caarapó (1), e Jardim (1), Naviraí (1) e Paranaíba (1).

Agora, somam 10.269 as vidas de sul-mato-grossenses ceifadas pela Covid-19, cuja taxa de letalidade está em 2,1%. 
Somente nas 24 horas transcorridas até hoje, foram confirmados 1.971 novos casos da doença e o Estado já totaliza 493.531 diagnósticos desde o início da pandemia. 

Dos mais recentes, a maioria ocorreu em Naviraí (321), Três Lagoas (238), Ribas do Rio Pardo (160), Dourados (107), e Rio Brilhante (106). Os demais municípios confirmaram menos de uma centena. 

No quadro atual da pandemia em Mato Grosso do Sul, somam 466.841 os casos recuperados da doença, mas a luta pela cura ainda tem 16.129 pacientes em isolamento domiciliar e 292 hospitalizados, dos quais 152 internados em leitos clínicos e 140 de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). 

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A grande vilã do ensino online na pandemia - VEJA.com

Estudantes que antes da pandemia de COVID-19 já apresentavam problemas de saúde mental aderiram menos às aulas on-line durante o período de isolamento social, quando os estabelecimentos de educação estavam fechados. Ou seja, mesmo tendo acesso à internet, esses alunos deixaram de participar do ensino a distância. Por outro lado, entre aqueles que aderiram à modalidade, não houve registro de impacto direto na saúde mental.

Esses são os principais achados de um estudo realizado por pesquisadores brasileiros e que comparou os efeitos de sintomas mentais dos mesmos jovens antes e durante a pandemia. Entre esses sintomas estão, por exemplo, hiperatividade e problemas de relacionamento com colegas ou de comportamento. O trabalho foi publicado na plataforma PsyArXiv Preprints , da Society for the Improvement of Psychological Science, e aguarda o processo de revisão por pares.

“Como a saúde mental dos estudantes é um fator de impacto na educação, buscamos entender a influência disso nas aulas on-line. Concluímos que os problemas prévios aumentaram a desigualdade de acesso ao sistema a distância, mas o sistema de aulas on-line em si não teve impacto nos sintomas”, explica a neurocientista Patrícia Pinheiro Bado, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e primeira autora do artigo.

A pesquisa teve apoio da FAPESP e englobou uma amostra de 672 estudantes entre 16 e 24 anos com acesso à internet. Desses, 511 se matricularam nas aulas on-line e 161 (31,5%) não se inscreveram na educação a distância enquanto as instituições estavam fechadas.

Os alunos foram avaliados antes e durante a pandemia por meio do Questionário de Forças e Dificuldades (SDQ na sigla em inglês). O método rastreia problemas de saúde mental em quatro subescalas: problemas de hiperatividade, emocionais, de conduta e de relacionamento. A análise dos dados foi realizada com o auxílio de modelos de regressão múltipla e ajustada para não ter influência de eventos escolares negativos anteriores, como suspensões e repetências, número de dias sem aulas presenciais, nível socioeconômico, sexo e idade.

Os cientistas queriam investigar dois pontos principais: se problemas de saúde mental anteriores à pandemia estavam associados ao acesso à aprendizagem on-line e se aqueles que aderiram ao ensino a distância teriam menos problemas de saúde mental durante o isolamento.

A conclusão foi que apresentar sintoma prévio de transtorno mental aumenta a chance de o jovem não acessar as aulas on-line. Segundo o artigo, a alta de um ponto na escala SDQ, que varia de 0 a 40, antes da pandemia eleva em 6% a chance de não participação a distância.

Essa comparação entre os dois momentos foi possível porque os participantes fazem parte do Estudo Brasileiro de Coorte de Alto Risco para Transtornos Psiquiátricos na Infância (BHRC), uma grande pesquisa de base comunitária que acompanha 2.511 crianças e jovens desde 2010.

O BHRC, também conhecido como Projeto Conexão – Mentes do Futuro, é considerado um dos principais acompanhamentos sobre riscos de transtornos mentais já realizados na psiquiatria brasileira. Faz parte do Instituto Nacional de Psiquiatria do Desenvolvimento para Crianças e Adolescentes (INPD), apoiado pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O INPD conta com mais de 80 professores e pesquisadores de 22 universidades e tem como coordenador-geral o professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) Eurípedes Constantino Miguel Filho.

Análise por sexo

Os pesquisadores não encontraram, durante a avaliação dos resultados, uma associação entre estar em aula on-line e desenvolver sintomas mentais. Um ponto que os cientistas chegaram a detectar na análise transversal, mas que foi totalmente explicado pelos registros de sintomas antes da pandemia, foi o fato de estudantes que acessaram aulas a distância terem menos problemas de desatenção/hiperatividade se comparados aos participantes que não acessaram as aulas.

Já a análise por sexo teve impacto na adesão a essas aulas: meninas apresentaram 2,3 vezes mais chance de estarem matriculadas no ensino a distância se comparadas aos meninos.

“Durante a pandemia, os fatores que influenciaram a saúde mental dos alunos foram o fato de já ter problemas prévios, dificuldades financeiras enfrentadas pela família e também o sexo: meninas registraram mais problemas de saúde mental do que meninos”, afirma Bado à Agência FAPESP.

Os cientistas destacam, no entanto, que não foi possível comparar a saúde mental dos alunos que estavam no ensino remoto com aqueles em aulas presenciais, uma vez que quase todos os participantes da amostra não podiam comparecer à instituição de educação em decorrência das medidas de isolamento social (apenas quatro tiveram aulas presenciais em algum momento durante o período de pandemia). Com isso, ainda não foi possível medir o impacto do fechamento das escolas.

Para o pesquisador Mauricio Scopel Hoffmann, professor adjunto do Departamento de Neuropsiquiatria da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e coautor do artigo, o trabalho contribui na formulação de projetos que busquem identificar essas crianças e jovens com problemas de saúde mental.

“Esses resultados conversam com nosso estudo anterior, que mostrou o impacto de transtornos externalizantes [como agressividade, déficit de atenção e hiperatividade] na evolução escolar das crianças, especialmente meninas. Detectar antecipadamente esses alunos em risco pode permitir contornar essa situação de desigualdade educacional”, completa Hoffmann.

Em outro artigo publicado no fim do ano passado na revista Epidemiology and Psychiatric Sciences, o grupo de cientistas já havia mostrado o impacto negativo de transtornos mentais, principalmente os externalizantes, na educação. A estimativa é que entre 5% e 10% das repetências e distorções idade-série (indivíduos fora da série adequada para a idade) não ocorreriam se os problemas de saúde mental fossem prevenidos ou tratados (leia mais em: agencia.fapesp.br/37419).

O pesquisador reforça que detectar os jovens com risco de abandono dos estudos e priorizar políticas públicas com tratamentos adequados poderia evitar a evasão escolar e até mesmo engajá-los no ensino a distância. “A pior situação é deixá-los fora do sistema educacional. Podem não voltar a estudar e, no futuro, ficarem em subempregos, com renda baixa, perpetuando a desigualdade.”

No Brasil, cerca de 244 mil crianças e adolescentes entre 6 e 14 anos estavam fora da escola no segundo trimestre de 2021, um aumento de 171% em comparação a 2019. Relatório da organização Todos Pela Educação, usando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), apontou também uma queda no percentual de pessoas da mesma faixa etária matriculadas no ensino fundamental ou médio. Enquanto 99% estavam matriculados em 2019, em 2021 o número caiu para 96%, menor índice desde 2012.

“Cada vez mais vemos que a saúde mental é um fator muito importante para ingresso e permanência dos alunos em instituições de ensino. Por isso, as políticas educacionais não podem ser pensadas de forma isolada de outros fatores, mas em um conjunto com questões de saúde”, diz Bado. Segundo a pesquisadora, um próximo passo será analisar o impacto de aprendizado dos jovens que participaram das aulas on-line durante a pandemia.

Outro levantamento, também divulgado pela organização Todos pela Educação no início de fevereiro, apontou que quase 41% das crianças brasileiras entre 6 e 7 anos não sabiam ler ou escrever no ano passado. Em dois anos, o número saltou de 1,429 milhão (o equivalente a 25% das crianças na faixa etária), em 2019, para 2,367 milhões (40,8%) em 2021.

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Câmara aprova uso de remédios com indicação diferente da prevista pela Anvisa - CenárioMT

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Câmara aprova uso de remédios com indicação diferente da prevista pela Anvisa  CenárioMTVer cobertura completa no Google Notícias
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Wednesday, February 23, 2022

Planos de saúde: entenda o que pode mudar na cobertura para os clientes com julgamento no STJ - G1

STJ define regras para a cobertura de procedimentos pelos planos de saúde — Foto: Getty Images

STJ define regras para a cobertura de procedimentos pelos planos de saúde — Foto: Getty Images

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) retoma, nesta quarta-feira (23), julgamento sobre a cobertura dos planos de saúde para procedimentos listados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O resultado pode impactar diretamente pacientes em tratamento de várias doenças.

O foco da decisão é se a cobertura dos planos deve ser exemplificativa ou taxativa, ou seja, se as operadoras podem ou não ser obrigadas a cobrir procedimentos não incluídos na lista da ANS, conhecida como rol.

“Se o STJ mudar as regras, as operadoras vão negar mais procedimentos e muitos pacientes ficarão sem tratamento”, alerta Rafael Robba, advogado especialista em direito à saúde, do escritório Vilhena Silva.

A pedido do g1, o advogado ajudou a responder as principais dúvidas sobre assunto.

Qual a diferença entre as coberturas exemplificativa e taxativa?

A cobertura exemplificativa significa que os planos de saúde não se limitam a cobrir apenas o que está na lista da ANS, pois ela serve exatamente como exemplo de tratamento básicos.

Já a cobertura taxativa entende que o que não está nesta lista preliminar da ANS não precisa ter cobertura das operadoras, o que levaria a uma limitação muito grande de procedimentos autorizados.

Assim, na exemplificativa – o entendimento atual – a lista da ANS funciona como uma cobertura mínima a ser bancada pelos planos de saúde. Já na taxativa, ela lista tudo o que os planos são obrigados a pagar: se não está no rol, não tem cobertura.

Como os planos de saúde aprovam os tratamentos atualmente?

Hoje, a maior parte do Judiciário entende que a lista da ANS é exemplificativa e que os planos de saúde devem cobrir outros tratamentos que não estão no rol, mas que tenham sido prescritos pelo médico, tenham justificativa e não sejam experimentais.

Quando uma empresa nega um tratamento que cumpra essas condições, o paciente geralmente entra na Justiça e consegue a liberação da cobertura do plano de saúde para seu problema.

Se a cobertura se tornar taxativa, o que muda?

Se o STJ aprovar a cobertura taxativa, as decisões judicias devem seguir esse entendimento – de que o que está não está na lista não precisa ser coberto. Nesse caso, muitos pacientes não conseguirão dar continuidade ou começar um tratamento com a cobertura do plano de saúde.

Quais procedimentos perdem a cobertura dos planos de saúde?

O rol da ANS é básico e não contempla muitos tratamentos, como medicamentos aprovados recentemente, alguns tipos de quimioterapia oral e de radioterapia, e cirurgias com técnicas de robótica, por exemplo. Se for estabelecido que o rol é taxativo, os planos ficam isentos da obrigação de bancar esses tratamentos.

Além disso, a ANS limita o número de sessões de algumas terapias para pessoas com autismo e vários tipos de deficiência. Muitos pacientes precisam de mais sessões do que as estipuladas para conseguir resultado com essas terapias, por isso, no atual modelo, conseguem a aprovação de pagamento pelo plano de saúde.

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Vecina: 'Podemos estar no fim da pandemia e tirar máscara em março' - UOL Notícias

O médico sanitarista Gonzalo Vecina fez coro, em entrevista ao UOL News hoje, à tese de que o fim da pandemia de covid-19 no Brasil está próximo. Segundo o fundador da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a mudança para endemia pode acontecer em março.

Vamos poder tirar a máscara, ter uma vida um pouco parecida com a que já tivemos.

Vecina ressalta que, para o caráter pandêmico da covid-19 mudar, é imprescindível que novas variantes não surjam.

Uma pandemia acaba quando os suscetíveis acabam. Quando a maioria das pessoas tiver a doença, não tem mais quem ter a doença. Provavelmente no início de março, se não tivermos nova variante.

Uma doença endêmica é aquela que se manifesta com frequência em determinadas regiões, geralmente provocada por circunstâncias ou causas locais. Ou seja, a população convive constantemente com a doença.

Dados de ontem consórcio de imprensa do qual o UOL faz parte mostram que, após 34 dias, a média móvel de casos conhecidos de covid-19 ficou abaixo de 100 mil. Já a média móvel de mortes está acima de 800 pelo 15º dia consecutivo, marcando 816.

Crítica a Queiroga

Vecina também questionou a fala do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, sobre a validade das vacinas após a mudança na situação sanitária.

Durante evento de lançamento da vacina da AstraZeneca de produção totalmente nacional pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Queiroga afirmou que o governo avalia o cenário epidemiológico e o impacto da mudança de status da doença no Brasil para endêmica. Ele questionou o uso das vacinas e medicamentos que têm apenas autorização emergencial.

"Determinados contratos foram feitos na vigência da pandemia. As vacinas que têm registro emergencial, será que podem continuar sendo usadas fora do caráter pandêmico? Toda essa análise tem de ser feita para conseguirmos levar uma palavra segura à sociedade", disse Queiroga ontem.

"Acho muito preocupante a fala desse ministro da Saúde. O que ele está tramando? Não consigo enxergar o porquê de fazer essa discussão agora sobre vacina ser aprovada desse jeito ou daquele jeito", opinou Vecina.

Veja as notícias do dia, entrevista com o senador Randolfe Rodrigues e análises de Josias de Souza e Jamil Chade no UOL News com Fabíola Cidral:

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