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Monday, November 1, 2021

Câncer de próstata: conheça os riscos, como é feito o diagnóstico e o tratamento - CNN Brasil

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A cada ano, mais de 65 mil homens desenvolvem o câncer de próstata no Brasil. As estimativas são do Instituto Nacional de Câncer (Inca) com base em indicadores nacionais de saúde.

A campanha Novembro Azul promove a conscientização para os cuidados integrais da saúde do homem. A atenção ao câncer de próstata norteia a iniciativa, que reforça todos os anos a importância do acompanhamento periódico para a prevenção de outros agravos, como diabetes, doenças cardiovasculares, além da obesidade e do tabagismo.

“Cuidar da saúde, quando você olha para o universo masculino, tem um impacto da questão cultural. Precisamos que as próximas gerações venham com um outro olhar de que cuidar da saúde do homem também é importante, assim como nós mulheres fazemos”, destaca Merlene Oliveira, idealizadora da campanha Novembro Azul e presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, dedicado ao câncer, doenças cardiovasculares e à saúde do homem.

Fatores de risco

O envelhecimento e aspectos genéticos são os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de próstata. Além disso, há uma probabilidade maior da doença para pessoas obesas e homens negros.

A incidência e a mortalidade pela doença aumentam após os 50 anos de idade. Assim como acontece com o câncer de mama, ter casos de câncer de próstata na família aumenta as chances de desenvolvimento da doença, principalmente se for em um parente próximo, como pai ou irmão, que tenham tido a doença antes dos 60 anos.

Embora os principais fatores de risco para a doença sejam características que não podem ser modificadas, os especialistas ressaltam que a adoção de hábitos de vida saudáveis pode contribuir para reduzir as chances da doença, incluindo a alimentação balanceada, exercícios físicos moderados e evitar o fumo e consumo abusivo de álcool.

Os perigos de uma doença silenciosa

O câncer de próstata é considerado uma doença silenciosa, que não costuma apresentar sinais ou sintomas nas fases iniciais. Alguns pacientes podem apresentar sintomas como dificuldade de urinar, diminuição do jato de urina, uma maior necessidade de ir ao banheiro, além da presença de sangue na urina.

A doença conta com perfis de evolução variáveis, podendo apresentar um crescimento lento ou rápido, de um paciente para outro.

O exame de toque é um dos métodos de rastreio para a detecção precoce do câncer. O teste permite ao médico verificar a estrutura da próstata, bem como possíveis sinais de aumento ou outras alterações. Com o envelhecimento, a próstata pode aumentar de tamanho naturalmente, sem que haja qualquer tipo de doença.

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que os homens, a partir dos 50 anos, e mesmo sem apresentar sintomas, procurem atendimento médico, para avaliação individualizada com o objetivo de diagnosticar de forma precoce o câncer.

O exame de toque pode ser realizado anualmente a partir dos 50 anos para a população em geral, e deve ser iniciado aos 45 anos para homens que façam parte do grupo de risco, especialmente aqueles que contam com histórico familiar da doença.

Para o esclarecimento do diagnóstico, os especialistas também utilizam outro indicador chamado antígeno específico da próstata (PSA, na sigla em inglês). Embora a proteína seja produzida naturalmente pela glândula, o aumento no nível de PSA presente na circulação pode indicar a necessidade de investigar a presença de um tumor.

O exame de PSA é realizado a partir da coleta de sangue, que permite medir os níveis da molécula no organismo. Em seguida, os resultados são comparados pelo médico com outros fatores como o tamanho da próstata, a idade do paciente e a presença de nódulos ou inflamação na próstata.

De acordo com o médico Alexander Dias, da Seção de Urologia do Inca, a detecção precoce aumenta as chances de cura.

“Para pacientes com diagnóstico na fase da doença localizada, o índice de sobrevida, ou seja, a probabilidade dessa pessoa estar viva após cinco anos do diagnóstico, é superior a 95%. Quando o diagnóstico é feito na vigência da doença metastática, quando a doença já atinge locais fora da próstata, esse índice cai para 25% a 30%”, explica Dias.

A confirmação do diagnóstico pode ser realizada através da biópsia da próstata. O procedimento consiste em uma intervenção cirúrgica para a retirada de um fragmento do tecido prostático para análise laboratorial. A biópsia deve ser solicitada pelo médico considerando os resultados dos exames de toque e de PSA.

2018
Monumentos são iluminados em alusão à campanha Novembro Azul no Brasil / Wilson Dias/Agência Brasil

Consultas médicas devem se tornar um hábito

Em 2006, o operador de empilhadeira Carlos Alberto Stella, de Ilha Comprida, município do litoral de São Paulo, foi diagnosticado com uma hiperplasia prostática que, diferentemente de um tumor, é o aumento benigno da próstata. Ele conta que a hiperplasia fez com que ele passasse a fazer o acompanhamento médico com mais frequência.

“Eu estava com 46 anos, a empresa em que eu trabalhava era grande e contava com um médico. Uma vez por ano, eu era obrigado a fazer eletrocardiograma e encefalograma. Nesse ano, o médico da empresa perguntou se eu já havia feito o PSA alguma vez. Respondi que não, porque nunca havia sido pedido”, diz Carlos.

Três anos depois, Carlos descobriu que estava com câncer de próstata. Aos 50 anos, Carlos não se abalou com a notícia e, de imediato, perguntou ao médico quando poderia realizar a cirurgia.

O aposentado conta que, antes do diagnóstico, não tinha o hábito de realizar consultas médicas. “Eu nunca tinha ido a especialidade nenhuma, a não ser quando eu era encaminhado”, diz.

Carlos foi submetido à cirurgia para o tratamento do câncer e não precisou passar por radioterapia ou terapia hormonal. O acompanhamento médico foi contínuo e começou com espaçamento de três meses, sendo ampliado progressivamente ao longo dos anos. No início de 2021, o aposentado teve alta hospitalar sendo declarado curado do câncer pela equipe.

Pai de dois homens e uma mulher, Carlos diz que reforça entre os filhos a necessidade de cuidar da própria saúde. “É necessário chamar atenção da população para a importância do cuidado com a saúde, mas também é importante agilizar os exames e, se houver resultado positivo para a doença, que trate o mais rápido possível”, afirma.

Como é feito o tratamento do câncer de próstata

O tratamento do câncer de próstata pode ser feito com a adoção de diferentes métodos, que vão variar de acordo com o perfil de cada paciente.

“O tratamento deve ser individualizado, mas, em conceitos gerais, temos que diferenciar o tratamento com modalidade curativa, mais radical, do tratamento para a doença metastática, de controle da doença. Para alguns pacientes, temos a vigilância, que é uma estratégia de não oferecer os tratamentos curativos em um primeiro momento”, afirma Dias.

Quando a doença permanece restrita à próstata, pode ser feita uma cirurgia para a retirada da glândula, radioterapia ou apenas o acompanhamento médico, chamado de observação vigilante. Nos casos em que a doença apresenta um avanço sob a próstata, pode ser indicada a cirurgia, radioterapia e o tratamento hormonal.

Já os pacientes que apresentam quadros de metástase, quando o tumor já se espalhou para outras partes do organismo, o tratamento mais indicado é a terapia hormonal.

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‘Ação AVC’ levou atendimento médico a população de Maceió neste domingo (31) - TNH1

Finalizando a Semana de Conscientização sobre o Combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC), a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) promoveu, neste domingo (31), na rua fechada da Orla de Ponta Verde, a I edição do ‘Ação AVC’, que teve o objetivo de prevenir e conscientizar sobre os sinais da doença. O evento contou com um circuito saúde, proporcionando à população maceioense avaliação clínica, por meio do Programa AVC Dá Sinais.

A ação contou com uma série de demonstrações sobre prevenção, sintomas, tratamento e reabilitação do AVC. Além de ofertar serviços de aferição de pressão arterial e glicemia, orientação nutricional, ginástica laboral, a iniciativa possibilitou que a população tivesse acesso a avaliação clínica, através do aplicativo Join, que verifica o risco de o usuário desenvolver um derrame.

O médico neurologista e coordenador do Programa ‘AVC Dá Sinais’, Matheus Pires, ressaltou a importância de alertar a população sobre os sinais do derrame.  “Conscientizamos a população sobre os sinais do AVC, doença que mais incapacita no país e a segunda maior causa de mortalidade. Tivemos a oportunidade de realizarmos a avaliação dos fatores de risco dos participantes, orientando quando eles devem procurar uma unidade de saúde, caso venham a apresentar os sintomas do AVC. Além disso, mostramos como Alagoas [através da Rede Pública de Saúde], tem total capacidade de atender o paciente com AVC da melhor forma”, enfatizou.

Valmir da Silva, de 55 anos, aproveitou a corrida matinal para conhecer mais sobre os sinais do AVC e realizar uma avaliação. “Com quase dois anos de pandemia, eu achei uma ação muito boa. Muitas pessoas ficaram com medo de prosseguir com seu tratamento médico ou de fazer um check-up e evitar outros problemas de saúde. O atendimento foi muito bom e tiraram bastante dúvidas, esclareceram várias questões sobre a doença”, ressaltou.

Já para o fotógrafo Ricardo Barros, de 58 anos, o Ação AVC foi um momento especial para conhecer mais sobre a doença. “É bom para gente saber como está nossa saúde, saber da averiguação da pressão e da glicemia. Foi uma ótima iniciativa. Se todos os finais de semanas tivesse um evento desse, seria muito bom”, salientou.

O secretário executivo de Ações de Saúde, Marcos Ramalho, explicou que a implantação do Programa AVC Dá Sinais acelerou o diagnóstico dos pacientes vítimas de derrame em Alagoas. “Com dois meses de lançamento, o programa vem salvando várias vidas e evitando sequelas. O Estado de Alagoas é o único do país que tem uma rede integrada através da telemedicina, oferecendo o que tem de mais moderno no tratamento. Alagoas hoje é referência nacional no tratamento do AVC e estamos aqui comunicando a sociedade, falando dos riscos, da prevenção e mostrando o avanço da saúde em Alagoas”, evidenciou.

 AVC Dá Sinais - Lançado em 23 de agosto, o programa AVC Dá Sinais é uma iniciativa pioneira em todo o país, tornando Alagoas o primeiro Estado a dispor de uma rede de cuidados específica para a doença. O programa teve, em dois meses de funcionamento, 423 casos discutidos pelo aplicativo Join; além de ter realizado 38 trombólises venosas e 10 trombectomias mecânicas.

Com a implantação do programa AVC Dá Sinais, Alagoas conta com Unidades de AVC no Hospital Geral do Estado (HGE), Hospital Metropolitano de Alagoas (HMA), Hospital Regional da Mata (HRM) e Hospital de Emergência do Agreste (HEA). Já as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) funcionam como porta de entrada para os alagoanos acometidos pela doença e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) realiza o transporte dos pacientes.

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Sunday, October 31, 2021

Câncer de mama: 'Decidi seguir com gestação e fiz quimioterapia grávida' - VivaBem

Um dia, Karina Goto, 37, estava amarrando o cabelo em frente ao espelho quando notou uma saliência na mama esquerda. Fez o autoexame, encostou na região e sentiu uma "bolinha". Como estava desmamando o filho de 2 anos, pensou que a alteração tinha alguma relação com isso e poderia ser leite empedrado. Mesmo assim, ficou preocupada e marcou uma consulta com a ginecologista.

Em outubro de 2020, depois de realizar ultrassom, mamografia e uma biópsia, o resultado dos exames confirmaram o câncer de mama —um tumor ainda inicial e localizado.

Na semana seguinte, Karina passou pela cirurgia de mastectomia, com reconstrução de mama, além do esvaziamento axilar (retirada de linfonodos, estruturas que integram o sistema linfático, da região).

Na época, Karina e o marido resolveram congelar os óvulos para esperar o tratamento e, depois, engravidar novamente. A fisioterapeuta de Maringá (PR) tomou os medicamentos e, na semana que iria fazer o ultrassom, o exame apontou uma suspeita de gravidez, com a presença de um saco gestacional —região que abriga o embrião.

Levei um susto, pensei: 'Meu Deus, estou grávida'. Tinha acabado de fazer a cirurgia, aí o médico que fez o ultrassom falou para eu realizar o exame de beta HCG [que detecta gravidez] e avisar meus médicos sobre isso.

A gravidez foi, então, confirmada. No entanto, logo após a cirurgia, Karina precisava iniciar a quimioterapia para continuar o tratamento contra o câncer de mama. Um dos médicos explicou que ela poderia interromper a gestação por causa dos riscos envolvidos se, para ela, isso fosse uma opção.

karina goto - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal

Karina esperou 12 semanas de gestação para iniciar quimioterapia

Imagem: Arquivo pessoal

Mas a fisioterapeuta decidiu ouvir outros especialistas sobre o tema. "Resolvi correr os riscos de o bebê, por exemplo, não se desenvolver ou de perdê-lo", diz. O outro médico consultado informou que interromper a gravidez não era necessário. Um alívio e tanto para Karina.

Segundo Raphael Brandão, coordenador do serviço de oncologia do Hospital Moriah (SP), a gestação em pessoas diagnosticadas com câncer de mama só é interrompida quando há "risco iminente de morte para a mãe."

"Quando o paciente está no primeiro trimestre, também não podemos fazer quimioterapia porque o quimioterápico é teratogênico, o que pode causar má formação do feto", explica o médico. A amamentação também não pode ser realizada se a paciente estiver fazendo quimioterapia, por conta da forte medicação presente no tratamento.

Karina precisou interromper de vez a amamentação de Henrique, filho mais velho que hoje está com 3 anos. Também necessitou de um acompanhamento mais próximo dos médicos e estratégias específicas para a gravidez ocorrer de forma segura.

Ela esperou 12 semanas de gestação, por orientação do médico, para iniciar a quimioterapia. No dia 28 de dezembro de 2020, Karina começou com as quatro sessões vermelhas, consideradas mais agressivas e, só depois, fez nove sessões brancas, mais "leves".

Da quimioterapia ao parto

"Passei a gestação inteira fazendo quimioterapia. Tive medo de ter enjoo, como todo mundo fala dessas reações nas sessões, mas só por Deus mesmo, não tive nada. A única coisa que senti, nas primeiras semanas, foi o intestino preso e um pouco de dor nas articulações", conta.

karina goto - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal

Karina na última sessão de quimioterapia

Imagem: Arquivo pessoal

Karina também resolveu raspar o cabelo quando os primeiros fios começaram a cair: "Fui uma grávida barriguda e carequinha", brinca. Quando estava finalizando as sessões brancas, entrou em trabalho de parto antes da hora. Nesta época, chegou a fazer dois ultrassons por semana.

"Terminei uma sessão de quimioterapia e, depois de duas semanas, ele nasceu porque começou a ficar com riscos à saúde, de entrar em sofrimento", explicou.

Karina deu à luz Heitor, com 34 semanas, no dia 31 de maio deste ano. Ele passou dois dias na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) por causa de dificuldades respiratórias e, depois, deixou o hospital saudável, sem nenhum risco à saúde.

"Olha, só por Deus mesmo que ele não teve nenhum problema, uma inflamação e que eu não perdi o bebê na gestação. Quando eu fiz a mastectomia, já estava grávida e não sabia", lembra.

A importância dos exames em dia

Agora, Karina seguirá com o tratamento medicamentoso por mais cinco anos para evitar que o tumor volte. "Não tenho mais câncer, mas ainda estou na luta para não ter recidiva", diz.

karina goto e família - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal

Karina com o marido Elton, e os filhos Henrique (maior) e Heitor

Imagem: Arquivo pessoal

A fisioterapeuta usa do exemplo para trazer um alerta importante às pessoas. "Meu último ultrassom tinha sido em 2017 e meu filho nasceu em 2018. Em 2019, pelo processo de amamentação, não fiz os exames e, em 2020, já estava com câncer. A gente não pode esquecer de se cuidar", lembra.

De acordo com o oncologista do Hospital Moriah, a recomendação para fazer mamografia é a partir dos 40 anos —caso essa pessoa tenha histórico na família, esse exame pode ser realizado antes. "Já o ultrassom é utilizado em mamas mais densas, de mulheres mais jovens. A ressonância também pode auxiliar de forma complementar em ambos métodos citados."

"Eu tinha 36 anos, era jovem e sem histórico de câncer de mama na família. Não é só porque está grávida ou amamentando, que não há risco de ter câncer. Precisamos ir ao médico, fazer os exames de rotina, se cuidar e se olhar", afirma Karina.

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Veja 9 dicas para dormir melhor e recuperar o sono perdido durante a pandemia da Covid-19 - Jornal O Globo

Seu sono não é o que costumava ser? Sua mente dispara quando sua cabeça encosta no travesseiro? Você acorda às 4 da manhã e tem dificuldade de voltar a dormir? Você está se sentindo sonolento e privado de sono, não importa quantas horas passe na cama?

Insônia:veja causas, sintomas e tratamentos

Para muitas pessoas, dormir mal já era a norma antes da pandemia de Covid-19. Mas o estresse, a ansiedade e as preocupações pioraram ainda mais as nossas noites, dando origem a termos como “coronassônia” para descrever o aumento dos distúrbios do sono no ano passado. Recentemente, porém, especialistas notaram algo que os surpreendeu: após mais de um ano de pandemia, a qualidade do sono continuou a piorar.

Sono atrasado, fragmentado ou oportunista?:Estudo mostra os principais problemas para dormir surgidos na pandemia

Em uma pesquisa com milhares de adultos em maio do ano passado, a Academia Americana de Medicina do Sono descobriu que 20% dos americanos disseram ter problemas para dormir devido à pandemia. Mas quando repetiram sua pesquisa 10 meses depois, em março, esses números aumentaram dramaticamente. Aproximadamente 60% das pessoas disseram que lutavam contra uma insônia relacionada à pandemia, e quase metade relatou que a qualidade do sono havia diminuído — embora as taxas de infecção por coronavírus tenham caído e o país esteja se recuperando.

— Muitas pessoas pensaram que nosso sono deveria estar melhorando porque podemos ver a luz no fim do túnel, mas está pior agora do que no ano passado — disse Fariha Abbasi-Feinberg, especialista em medicina do sono e porta-voz da Academia Americana de Medicina do Sono. — As pessoas ainda estão realmente tendo problemas [para dormir].

O sono frequentemente ruim é mais do que apenas um incômodo. Ele enfraquece o sistema imunológico, reduz a capacidade de memória e atenção e aumenta a probabilidade de doenças crônicas como depressão, diabetes tipo 2 e doenças cardíacas. Quanto mais curto for o seu sono, sugerem os estudos, mais curto será o seu tempo de vida. E para pessoas com mais de 50 anos, dormir menos de seis horas por noite pode até aumentar o risco de demência.

— Durante o ano passado, tivemos a tempestade perfeita de todas as coisas ruins que podem afetar o seu sono — disse Sabra Abbott, professora assistente de neurologia em medicina do sono na Escola de Medicina do Sono da Universidade Northwestern Feinberg em Chicago, Estados Unidos.

Estudos mostram que, na pandemia, as pessoas tendem a manter horários de sono irregulares, indo para a cama muito mais tarde e dormindo mais do que o normal, o que pode perturbar nossos ritmos circadianos. Reduzimos nossos níveis de atividade física e passamos mais tempo dentro de casa; engordamos e bebemos mais álcool; e apagamos as linhas que separam o trabalho e a escola de nossas casas e quartos — tudo isso é prejudicial ao sono.

Nossos níveis de estresse e ansiedade, que são duas das principais causas da insônia, também dispararam. E, paradoxalmente, um tempo extra na cama pode piorar as coisas para quem sofre de insônia, pois quando alguém tem dificuldade para adormecer ou continuar dormindo, seus cérebros associam a cama a experiências estressantes, afirma Abbot.

Um dos tratamentos mais comuns para a insônia é uma estratégia chamada restrição do sono, que melhora a qualidade e eficiência do sono das pessoas. Mas o que mais podemos fazer para colocar nosso sono interrompido de volta nos trilhos? Abaixo, listamos algumas dicas. 

Siga a regra dos 25 minutos

Se você se deitar e não conseguir dormir depois de 25 minutos, ou acordar à noite e não conseguir voltar a dormir depois de 25 minutos, não fique na cama. Levante-se e faça uma atividade tranquila que acalme sua mente e o deixe sonolento, como um alongamento, uma leitura com luz baixa, meditação ou exercícios de respiração profunda. Mas só volte para cama quando se sentir cansado novamente.

Jogue fora suas preocupações

Uma a duas horas antes de dormir, anote todos os seus pensamentos em uma folha em branco, especialmente aquilo que o está incomodando — pode ser o que você vai fazer amanhã no trabalho ou as contas que precisa pagar. Depois, amasse-a e jogue-a no lixo. O ato de despejar seus pensamentos em um pedaço de papel e jogá-lo fora é um gesto simbólico que te fortalece e acalma sua mente, afirma Ilene Rosen, especialista em medicina do sono e professora associada de medicina na Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia.

Restrinja o uso de telas antes de dormir

Evite o uso de celulares ou outros dispositivos eletrônicos na hora de dormir, porque a luz azul que a tela deles emite diz ao seu cérebro que é hora de acordar. Mas se for usá-los mesmo assim, use-os apenas em pé. Quando sentir vontade de sentar ou deitar, guarde o aparelho.

Acorde na mesma hora todos os dias

Nossos corpos seguem um ritmo circadiano diário, e acordar em horários diferentes o deixa fora de sincronia. É melhor estabelecer horários padrões para acordar  e dormir, mesmo nos fins de semana. Quanto menos você se desviar desses horários, melhor dormirá.

Pegue sol todas as manhãs

Procure obter pelo menos 15 minutos de luz solar logo no início da manhã para que a liberação de melatonina , um hormônio que promove o sono, seja interrompida no seu corpo.

Faça da sua cama um refúgio

Reserve sua cama apenas para dormir ou fazer sexo.  Trabalhar em casa — às vezes em nossas camas — apagou muitos dos limites entre o trabalho e o sono. Mas transformar seu colchão em um escritório pode condicionar seu cérebro a ver a cama como um lugar que o deixa estressado e alerta, o que pode levar à insônia.

Exercite-se

A pandemia levou as pessoas a reduzir a atividade física, mas o exercício é a maneira mais fácil de melhorar o sono. Pelo menos 29 estudos descobriram que o exercício diário, independentemente do tipo ou intensidade, ajuda as pessoas a adormecer mais rapidamente e a permanecer dormindo por mais tempo, especialmente pessoas de meia-idade ou mais velhas.  Mas uma advertência: termine o exercício pelo menos quatro horas antes de deitar, caso contrário, isso pode interferir no seu sono ao elevar a temperatura corporal.

Corte a cafeína às 14h

A cafeína tem meia-vida de seis a oito horas e um quarto de vida de cerca de 12 horas. Isso significa que se você beber café às 16h, "você ainda terá um quarto da cafeína flutuando em seu cérebro às 4h da madrugada", disse Breus. Evitar a cafeína à noite é o mínimo. Mas o ideal é evitar a cafeína após as 14h, para que seu corpo tenha tempo suficiente de metabolizá-lo e limpá-lo da maior parte do seu sistema.

Siga a regra das duas taças

Se você consome álcool, limite-se a beber o equivalente a duas taças à noite, alternando cada uma com um copo de água,  e pare pelo menos três horas antes de dormir. Como o álcool é um sedativo, algumas pessoas costumam ingeri-lo para ajudá-las a adormecer mais rápido, mas o álcool suprime o sono REM (mais profundo) e causa interrupções no repouso, o que piora a qualidade geral do sono.

Quando buscar ajuda

O surto ocasional de insônia não é motivo de preocupação. Mas se você fizer alterações em sua rotina de sono e nada parecer ajudar, talvez seja hora de consultar um médico. Um especialista em sono pode determinar se você precisa de terapia cognitivo-comportamental, medicação ou outro tratamento. Ou pode ser o caso de você ter um distúrbio do sono subjacente, como síndrome das pernas inquietas ou apneia do sono.

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Reposição hormonal na menopausa aumenta o risco de câncer de mama? - Doutor Jairo Bouer

A reposição hormonal na menopausa pode prejudicar a saúde da mama?

O uso da reposição hormonal para aliviar os sintomas da menopausa é algo fundamental para a qualidade de vida de muitas mulheres, mas é preciso que o ginecologista analise, caso a caso, quais os riscos e benefícios da terapia. Existem muitas opções de tratamento, assim como existem pacientes com diferentes perfis.

A exposição a hormônio depois dos 45 ou 50 anos de idade pode, eventualmente, aumentar o risco de câncer de mama porque o estrógeno promove a proliferação das glândulas da região. Em geral, a chamada “reposição combinada” reduz esse risco, mas, mesmo assim, é importante que o uso seja por tempo limitado, e que todos os riscos e benefícios sejam pesados na conversa entre médico e paciente, que também deve levar em conta o histórico familiar.

Veja a resposta completa:

O que fazer para evitar o câncer de mama?

Neste Outubro Rosa, mês de conscientização sobre a doença, o médico Jairo Bouer comandou uma live no TikTok sobre o tema para lembrar meninas e mulheres jovens de que nunca é cedo para começar a se cuidar. 

Até uma em cada oito mulheres deve enfrentar a doença ao longo de sua vida, e parte considerável da propensão ao câncer de mama envolve o nosso estilo de vida. Veja, a seguir, os principais fatores de risco para desenvolver tumores nessa parte do corpo:

1. Sedentarismo: o ideal é praticar no mínimo meia hora de atividade física de três a quatro vezes por semana.

2. Beber em excesso: é fundamental consumir álcool com moderação (clique aqui para saber como).

3. Cigarro: fumar aumenta o risco desse e de vários outros tipos de câncer (veja aqui dicas para abandonar o tabagismo). 

4. Obesidade: pessoas com excesso de peso são mais propensas à doença, por isso é importante buscar tratamento para mantê-lo sob controle.

5. Idade: embora o câncer de mama possa ocorrer em mulheres mais jovens, a probabilidade é maior a partir dos 40 ou 50 anos. 

Assim, o que você pode fazer no seu dia a dia para diminuir seus riscos? Ter uma dieta mais saudável, não ficar o dia inteiro sem se movimentar, praticar uma atividade física, evitar álcool em excesso e não fumar. 

Como identificar o câncer de mama?

Um dos passos mais importantes para se identificar algo de errado na mama precocemente é a mulher conhecer bem o seu corpo. Sentir algum nódulo, alterações na forma da mama ou do mamilo, pele com aparência diferente no seio, ou secreções com sangue, por exemplo, são motivos para ir ao médico.

De qualquer forma, é importante destacar que a maioria dos casos de câncer de mama não tem sintomas nas fases iniciais. A mulher só descobre algo ao fazer os exames, como a mamografia, e aí sim o médico vai investigar a alteração. Por isso é tão importante fazer o controle.

Em geral, as mulheres devem fazer a mamografia a partir dos 40 anos de idade, a não ser quando há casos de câncer de mama na família – aí o exame é indicado a partir dos 25 anos.

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Aquecimento global causou mais de 200 mil casos de doença renal no Brasil em 15 anos, diz estudo - Folha de S.Paulo

Já é sabido que mudanças no ambiente podem influenciar a saúde das pessoas e dos animais. A poluição do ar, água e solos contaminados, estiagem prolongada e outros fatores ambientais afetam tanto o desenvolvimento quanto questões básicas, como o consumo de água e oxigênio.

Porém, mensurar o efeito direto das mudanças climáticas sobre órgãos era algo visto quase como impossível pelos cientistas. Até agora.

Pela primeira vez, um grande estudo conseguiu identificar mais de 200 mil casos de doenças renais causados diretamente por influência da temperatura. Além disso, as variações de temperatura extremas em um mesmo dia —como noites frias e calor intenso durante o dia— podem afetar o organismo em até dois dias subsequentes.

O risco para desenvolver algum tipo de problema renal foi maior em crianças de zero a 4 anos é maior, de 3,5% para cada aumento de 1˚C de temperatura, em mulheres (1,1%) e em pessoas com mais de 80 anos (1%).

A pesquisa, a qual à Folha teve acesso, foi publicada na ediçãodeste domingo (31) da revista The Lancet Regional Health – Americas.

O estudo, conduzido com uma parceria entre a Universidade de Monash, em Melbourne, na Austrália, e o Instituto de Estudos Avançados (IEA), da Universidade de São Paulo, avaliou dados de 2.726.886 hospitalizações por algum tipo de doença renal entre os anos 2000 e 2015 em 1.816 municípios brasileiros.

O risco chamado atribuível (isto é, que ocorre de fato em um indivíduo, diferente do risco relativo calculado para uma população) de doença renal associada com aumento de temperatura foi de 7,4%, equivalente a 202.093 casos.

Para fazer a associação entre temperatura e danos nos rins, os pesquisadores avaliaram o período histórico de temperatura de cada uma das cidades e cruzaram com os registros de admissões hospitalares por doença renal no SUS (Sistema Único de Saúde).

Após analisar as séries históricas, os pesquisadores ajustaram os modelos para diferentes variáveis, como idade, sexo, renda salarial e local de residência. "Como os municípios eram avaliados com eles próprios, nós conseguimos identificar a diferença na temperatura influenciando diretamente o caso de doença renal", explica a meteorologista, pesquisadora da Faculdade de Medicina da USP e colaboradora da Universidade de Monash, Micheline Coelho.

O médico patologista e professor do IEA-USP, Paulo Saldiva, que também participou do estudo, explica como o calor afeta diretamente os rins e como o efeito é maior em crianças e mulheres. "Variações de calor podem elevar o risco de ‘descompensar’ doenças crônicas preexistentes, como diabetes, pressão arterial. Além disso, tem ação também com a regulação de transpiração, volume de água absorvido e produção de urina", diz.

"Crianças muito novas ainda não têm o sistema renal bem desenvolvido e a relação de massa superfície favorece as trocas de calor com o ambiente. Já as mulheres, especialmente as puérperas, têm maior propensão a infecções urinárias, o que, em um ambiente de desidratação por calor, pode afetar os rins."

O fato de ter incluído os 1.816 municípios que concentram quase 80% da população brasileira permite fazer um recorte adequado da chamada epidemia de doença renal crônica no país. "Esse é um dos poucos estudos em larga escala que mostra os efeitos do aquecimento global sobre as doenças renais, e só foi possível fazer porque temos a base de dados do SUS", diz Saldiva.

Isso permitiu também traçar um panorama do risco por região do país. "No Sudeste, o risco foi menor, de 0,7%, enquanto a região Norte apresentou o maior risco, de 2,2%. Isso era esperado porque a região Norte é mais quente e não só quente, é também úmida, e a umidade afeta como vamos absorver o calor no nosso corpo", afirma Coelho.

No Brasil, a doença renal crônica causa anualmente 2,4 milhões de mortes, e estima-se que mais de dez milhões de brasileiros tenham a doença, número que é possivelmente subnotificado. A prevalência de doença crônica renal nos EUA é de 110 a cada cem mil habitantes e, no Japão, 205 a cada cem mil habitantes.

Coelho já vinha pesquisando nos últimos dez anos as relações do clima e da temperatura nos humanos, área conhecida como biometeorologia. Segundo a Organização Mundial da Saúde, de 90 mil a 255 mil novas mortes por doenças crônicas poderão ser ligadas diretamente ao aumento da temperatura global até 2030 e 2050, respectivamente.

"Quando a gente faz uma série temporal de 15 anos como essa e desenvolve um modelo epidemiológico em cima, conseguimos captar a correlação daquela doença levando em consideração a variação de temperatura. Assim, é possível, a partir dessa análise, quantificar quantas mortes seriam evitadas se não houvesse a mudança de temperatura", diz.

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Sorte ajudou a evitar catástrofe da Delta - Jornal O Globo

mascaras

Detectada pela primeira vez na Índia em outubro de 2020, a variante Delta do coronavírus logo se demonstrou ser bem mais transmissível do que as anteriores. Rapidamente se sobrepôs à Alfa ,e isso levou a novas ondas de Covid-19 em muitos países, como Índia, Inglaterra, EUA e Israel.

No Brasil, os primeiros casos foram confirmados em abril de 2021, época em que poucos brasileiros tinham sido plenamente vacinados, já se sabia que a proteção para Delta é bem mais eficiente apenas após a vacinação completa.

O potencial de alta transmissibilidade da Delta, a falta de informação fidedigna sobre a prevalência dela no Brasil, a baixa cobertura vacinal plena e a pressão por flexibilização das medidas de isolamento físico pareciam ser os ingredientes necessários e suficientes para que a Delta rapidamente causasse uma nova e terrível onda de Covid no país.

Porém, o impacto devastador da Delta não se confirmou, e todos os indicadores da pandemia estão melhorando. Por que a Delta aterrissou, mas não decolou no Brasil? A resposta certa ainda não se sabe, mas existem hipóteses:

1) Diferenças biológicas entre as variantes. Pode ter ocorrido uma vantagem evolutiva da Delta menor sobre a Gama do que sobre a Alfa, tornando a velocidade de progressão da Delta menor por aqui, onde o predomínio absoluto era da Gama, e não da Alfa. Em outros países onde a presença da Gama era bem menor do que no Brasil, a briga evolutiva da Delta com a Alfa foi fácil e rapidamente vencida. Por aqui a Delta acabou vencendo, mas bem mais lentamente;

2) Influência de imunização natural. Quando a Delta chegou ao Brasil, estávamos no pico da catastrófica “onda Gama”, e é possível que, quando Delta se tornou preponderante no Brasil, uma parte relevante da população já tinha sido exposta não só à variante da primeira onda, mas também recentemente à Gama, e talvez parcialmente adquirido proteção temporária contra qualquer variante;

3) Vacinação. A vacinação avançou a partir do final de abril e, agora que Delta é a variante mais prevalente, metade de toda a população brasileira já está plenamente vacinada, incluindo adolescentes, sendo que idosos e profissionais de saúde já recebem até a dose de reforço. Ter avançado na vacinação antes do início da queda da imunidade gerada pela colossal “onda Gama” pode ter contribuído para proteger da Delta. Cabe no campo das hipóteses lembrar um possível efeito surpreendente da única vacina “diferente” usada em países onde a Delta não decolou (Brasil, Chile e Uruguai), e não utilizada nos países em que a Delta fez enormes estragos (EUA, Reino Unido e Israel), a Coronavac! Teria a “Geni das vacinas” um efeito protetor sobre a Delta maior do que se imagina, evitando reinfecções e novas infecções em pós-vacinados?

4) Manutenção das medidas não farmacológicas. Devido ao devastador impacto da “onda Gama”, comportamentos como o uso de máscaras ainda eram vigentes no Brasil no momento em que a Delta chegou, diferente de outros países que já haviam flexibilizado estas medidas achando que a “onda Alfa” seria a última;

5) Intervalo entre doses das vacinas. No Brasil adotamos (por falta de vacinas) até recentemente o intervalo longo entre doses, que hoje está comprovado ser o mais eficiente para proteger da Delta.

É provável que nenhuma hipótese citada seja suficiente e que mais de uma tenha sido necessária para explicar como a “inevitável” catástrofe da Delta foi evitada.

Apesar de que a pandemia de coronavírus ainda não acabou, e que com o vírus circulando não estamos livres de novas variantes da Delta, tudo indica que a Delta original não vai decolar por aqui, e assim um número enorme de vidas foram e serão salvas. Aparentemente, tivemos mais sorte que juízo!

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Sorte ajudou a evitar catástrofe da Delta - Jornal O Globo
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