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Tuesday, April 27, 2021

Ivermectina: de tratamento para gado ao Nobel, a história do remédio sem eficácia comprovada contra covid-19 - VivaBem

Medicamento criado para combater verminoses foi revolucionário na pecuária e contra a 'cegueira dos rios'; mas, testado contra a infecção pelo coronavírus, ele não mostrou eficácia e mesmo assim faz parte do chamado 'kit covid'.

Os moradores de alguns vilarejos na África Central tinham duas certezas na vida: a primeira era que, na infância e no início da adolescência, eles precisariam guiar e auxiliar os familiares e vizinhos mais velhos, a maioria deles vítima de cegueira.

E o destino inexorável se certificava que, após os 20 e poucos anos de idade, eles também seriam acometidos pela deficiência visual e necessitariam do auxílio dos mais jovens para sobreviver.

O drama, que se repetia geração após geração, era causado pelo verme Onchocerca volvulus, transmitido pela picada de mosquitos borrachudos muito comuns nessa região (e também na América Latina e no Iêmen).

O parasita pode viver escondido no corpo por até 15 anos —com o passar do tempo, ele libera milhões de larvas microscópicas que afetam a pele, o sistema linfático e o nervo óptico, que nos dá a capacidade de ver o mundo.

O quadro, conhecido como oncocercose ou cegueira dos rios, ainda afeta cerca de 18 milhões de pessoas todos os anos.

A condição acomete principalmente um grupo de 28 países africanos, que respondem por 99% dos casos.

A cada 12 meses, um total de 6,5 milhões de pessoas desenvolve sintomas da infecção, como lesões na pele e dificuldade para enxergar.

Dessas, 270 mil perdem a visão de forma definitiva.

Mas a situação já foi ainda pior e só começou a melhorar a partir 1988, com a adoção de um remédio que acabara de ser aprovado para uso em humanos: a ivermectina.

No final dos anos 1980, esse medicamento passaria a fazer parte de um gigantesco programa de doação e alcançaria um dos maiores sucessos de saúde pública da história recente.

Mas para entender como esse fármaco saiu das bancadas de laboratórios, mudou a realidade do mundo e voltou aos holofotes durante a pandemia de covid-19 por causa de disputas politizadas em torno de sua suposta eficácia (que ainda não foi comprovada por estudos científicos rigorosos), é preciso voltar ao ano de 1973 e acompanhar uma descoberta inusitada que aconteceu num campo de golfe da cidade de Ito, no Japão.

Ali começaria a história que mudaria a vida de milhões de pessoas pelos próximos anos.

Surpresas da terra

Desde o início de sua carreira, o bioquímico japonês Satoshi Õmura se especializou em estudar a produção de enzimas por micro-organismos.

Sua ideia era identificar moléculas com potencial farmacológico, que poderiam eventualmente ser utilizadas como tratamento para várias doenças.

Vale lembrar que esse tipo de pesquisa já rendeu grandes avanços à humanidade. A penicilina, o primeiro antibiótico da história, por exemplo, foi obtida pela primeira vez a partir de uma colônia de fungos, cultivada em 1928 pelo cientista escocês Alexander Fleming.

No início dos anos 1970, o trabalho de Õmura no Instituto Kitasato, em Tóquio, consistia em coletar amostras do solo e investigar o comportamento dos seres microscópicos que viviam ali.

As substâncias que mostravam algum potencial eram então enviadas aos laboratórios da farmacêutica Merck, Sharpe & Dome (MSD), nos Estados Unidos, onde passavam por uma nova rodada de testes mais aprofundados.

Foi assim que surgiu a ivermectina: o bioquímico japonês coletou um pouco de terra nas cercanias de um campo de golfe da cidade de Ito, que fica a 130 quilômetros de Tóquio.

"Foi lá que ele descobriu uma cepa da bactéria Streptomyces avermitilis", conta o microbiologista Gabriel Padilha, coordenador do Laboratório de Bioprodutos do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).

Nas análises, Õmura isolou uma enzima chamada avermectina, que parecia ter algum potencial para inibir vermes, insetos e aracnídeos.

O material foi entregue aos colegas americanos em 1974. Cinco anos depois, foram publicados os primeiros artigos científicos que descreviam a molécula e suas propriedades.

Após uma série de experimentos que perduraram até o final dos anos 1970, um time da MSD liderado pelo bioquímico irlandês e americano William Campbell chegava à formulação final do novo medicamento.

Nascia, assim, a ivermectina.

Mas a droga ainda demoraria quase uma década para chegar aos seres humanos: antes, ela seria usada por um bom tempo na medicina veterinária.

Remédio para gado

As experiências iniciais indicavam que a ivermectina era uma ótima molécula para tratar dois tipos de parasitas: aqueles que se instalam no sistema digestivo ou na pele.

"Ela foi uma maravilha para a pecuária. Os rebanhos costumavam sofrer muito com verminoses intestinais, que fazem os animais perderem peso, e com os carrapatos, que se fixam no couro e inviabilizam seu uso comercial", descreve o biólogo Carlos Eduardo Winter, professor do Departamento de Parasitologia do ICB-USP.

Em pouco tempo, o medicamento começou a ser usado em larga escala em bois, cavalos, porcos e ovelhas.

Nos primeiros cinco anos após seu lançamento, a ivermectina foi aprovada em 46 países e chegou a ser aplicada em quase 500 milhões de animais.

Seu uso nos Estados Unidos chegou a quase extinguir um verme chamado Onchocerca cervicalis, que afeta os cavalos e representa um verdadeiro pesadelo para os criadores.

Com o sucesso da aplicação no universo da veterinária, os cientistas puderam entender um pouco mais a fundo o mecanismo de ação do medicamento no combate aos vermes.

"Sabe-se que a ivermectina atua no sistema nervoso dos parasitas, causando uma paralisação do organismo deles", detalha o parasitologista Marcelo Beltrão Molento, professor da Universidade Federal do Paraná.

"Eles deixam de comer e de ter trocas com o hospedeiro. Com o tempo, morrem aos poucos e são metabolizados", completa.

Esse processo de matar os vermes acontece de forma relativamente lenta ? e isso é essencial para o sucesso da terapia medicamentosa.

Se a ivermectina aniquilasse todos os parasitas numa só tacada, isso poderia causar uma inflamação no corpo, que não teria condições de lidar com tantos "bichos mortos" de uma só vez.

Com os bons resultados na pecuária no início dos anos 1980, chegava a hora de entender se o remédio seria capaz de repetir o mesmo sucesso quando usado em seres humanos.

Mudança de paradigma

Os testes clínicos que avaliaram o uso do medicamento contra verminoses que atingem as pessoas se arrastaram entre 1982 e 1986.

Em 1987, a ivermectina ganhou na França seu primeiro reconhecimento como tratamento médico.

Nesse mesmo ano, a MSD, farmacêutica detentora dos direitos comerciais do produto, assinou um acordo com a Organização Mundial da Saúde e outras instituições em que se comprometeu a fazer doações de doses por tempo ilimitado.

O objetivo? Eliminar definitivamente a oncocercose da face da Terra.

Desde então, a ivermectina é distribuída gratuitamente em países da África e da América Latina.

Nos locais onde essa parasitose é comum, os moradores chegam a receber as doses todos os anos, como tratamento profilático, até que a doença seja controlada e eliminada daquela região.

Esse foi o primeiro programa massivo de doação de drogas da história e está ativo até hoje, com mais de 4 bilhões de doses distribuídas para 49 países.

Com 34 anos, o programa já produziu inúmeros resultados significativos, com mais de 300 milhões de pessoas tratadas todos os anos.

Conquistas na América Latina

"Em nossa região, a iniciativa começou em 1992 e nós já conseguimos eliminar a oncocercose de quatro países: Colômbia, Equador, México e Guatemala", relata o médico Mauricio Sauerbrey, diretor do programa de eliminação da doença nas Américas mantido pelo Carter Center, uma instituição sem fins lucrativos criada pelo ex-presidente americano Jimmy Carter.

Por ora, a cegueira dos rios só persiste em dois lugares da América Latina: Brasil e Venezuela.

"Os casos se concentram em regiões de difícil acesso, como as áreas de fronteira na Floresta Amazônica, e afetam principalmente populações nômades que vivem em comunidades muito pequenas, como os ianomâmis. É mais difícil encontrá-los e oferecer o tratamento duas vezes ao ano", detalha Sauerbrey.

"Mas tenho certeza que também vamos ser bem-sucedidos no Brasil e na Venezuela e teremos boas notícias para compartilhar nos próximos anos", acredita o especialista.

Resultados na África

Do outro lado do Atlântico, os resultados também são considerados excelentes, embora nenhum país tenha eliminado a doença definitivamente de seu território.

De acordo com relatórios disponibilizados no site da Organização Mundial da Saúde, o número de pacientes com oncocercose caiu 61% nas regiões africanas beneficiadas pelo projeto.

No mesmo período, a notificação de casos de cegueira relacionados à infecção foi reduzida pela metade.

Além da cegueira dos rios, a ivermectina mostrou ser uma ótima terapia contra a filariose, outra enfermidade muito comum nesses mesmos lugares do planeta.

Também conhecida como elefantíase, a condição é provocada pelo parasita Wuchereria bancrofti e está relacionada a inchaços e deformações nas pernas e na região genital.

Droga-maravilha

Tantos serviços prestados fazem a ivermectina entrar para o seleto rol das "wonder-drugs" (ou "drogas-maravilha", numa tradução literal), ao lado de aspirina, penicilina e morfina.

"Esse é um grupo de medicamentos que realmente mudou a face da saúde pública", constata Molento.

A descoberta do medicamento rendeu até o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2015 aos pioneiros nos estudos: o japonês Satoshi Õmura e o irlandês/americano William Campbell.

Naquele ano, eles dividiram o reconhecimento com a farmacologista chinesa Tu Youyou, que desenvolveu a artemisinina, um tratamento contra a malária.

Reposicionamento de drogas e a covid-19

A ivermectina foi alçada a um novo patamar de fama com a chegada da pandemia de covid-19: a partir do segundo semestre de 2020, ela passou a ser apontada como um possível tratamento contra o novo coronavírus, apesar da falta de evidências científicas suficientes para dar suporte a essa afirmação.

Mas como que o remédio entrou nessa história?

Tudo começou com uma estratégia bastante comum na área da farmacologia: o reposicionamento de drogas.

Com o auxílio de plataformas de tecnologia e programas de computador, os cientistas avaliam, de uma vez só, o potencial de centenas ou até milhares de medicamentos contra uma determinada doença.

"Essa é uma estratégia excelente, pois seleciona produtos já utilizados e comprovadamente seguras para ver se podem ajudar num outro contexto", avalia o microbiologista Leandro Araújo Lobo, professor do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O reposicionamento permite acelerar algumas etapas na criação de um novo tratamento ? o que certamente é desejável quando uma enfermidade recém-descoberta está matando milhares de pessoas todos os dias em vários países.

A ivermectina, então, foi testada nos laboratórios da Universidade Monash, da Austrália, e mostrou ali que seria capaz de contra-atacar o coronavírus.

Repare bem: os experimentos eram simples e foram realizados em culturas de células, que estão longe de representar toda a complexidade de uma infecção no corpo humano.

E a situação fica ainda mais distante da vida real porque a dose empregada nestes testes iniciais era muito superior ao limite considerado seguro para as pessoas.

"Nos trabalhos iniciais, a dosagem chegava a ser proporcionalmente 17 vezes mais alta do que poderíamos dar a uma pessoa", calcula Lobo.

Outro problema: o reposicionamento de drogas é apenas o primeiro passo e deve ser sucedido de estudos mais rigorosos, que comprovem ou não a eficácia e a segurança daquele fármaco contra a doença.

"No laboratório, até vinagre, sal, açúcar ou refrigerante podem mostrar alguma atividade. Mas quando passamos para a próxima fase dos testes, que envolvem animais, esse efeito geralmente desaparece ou fica tóxico demais", explica Padilha.

"Em praticamente 99% das vezes, aquilo que vai bem nos experimentos in vitro não funciona nas pesquisas posteriores", concorda Winter.

Leite derramado

Quando os resultados iniciais da ação da ivermectina contra o coronavírus foram divulgados, já era tarde demais: em questão de dias, numa espécie de telefone sem fio potencializado por redes sociais, as informações sobre o potencial do remédio foram distorcidas e exageradas, de tal forma que muitas pessoas passaram a utilizá-lo até para tentar prevenir a infecção.

"Em maio e junho do ano passado, nós já assistimos a um aumento do interesse pela ivermectina, inclusive com a ação direta de prefeitos e secretários municipais da Saúde brasileiros, que naquela época começaram os planos de um tratamento em massa", rememora Molento.

Prova disso são os números do Conselho Federal de Farmácia (CFF): em comparação com 2019, as vendas de ivermectina dispararam 557% no país ao longo de 2020.

A título de comparação, a hidroxicloroquina, outro princípio ativo muito debatido nos últimos meses, teve um crescimento de 110% no mesmo período.

Outros integrantes do comprovadamente ineficaz kit-covid também tiveram uma maior procura, mas os números nem chegam perto do "sucesso" da ivermectina: vitamina D (81%), vitamina C (59%) e nitazoxanida (9%) também figuraram no ranking divulgado pelo CFF.

Um dos mais contumazes defensores do tratamento precoce e da ivermectina foi (e continua sendo) o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Foram várias as manifestações de apoio a esse coquetel farmacológico.

Numa conversa com apoiadores no dia 16 de abril, o presidente voltou a afirmar: "É o tempo todo o pessoal só atrapalhando. Isso não dá certo. Ô idiota, o que dá certo? O cara é um jumento. Fica falando: 'Ivermectina não pode, não tem comprovação científica'. E não dá alternativa. Deixa o cara tomar, pô. O médico vai decidir o que o cara vai tomar."

O que diz a ciência

Ao longo dos últimos meses, diversos grupos de pesquisa se debruçaram sobre o efeito da ivermectina nas várias etapas da covid-19.

Os resultados, porém, não foram nada animadores e não mostraram resultados satisfatórios.

Isso fez com que várias instituições mundo afora contra-indicassem seu uso na prevenção ou no tratamento da infecção pelo coronavírus.

A Food and Drug Administration (FDA), a agência regulatória dos Estados Unidos, atualizou suas recomendações sobre o assunto no dia 5 de março de 2021:

"A FDA não revisou dados que justificam o uso da ivermectina em pacientes com covid-19. Contudo, algumas pesquisas sobre o tema ainda estão em andamento. Tomar um remédio que ainda não foi aprovado pode ser muito perigoso".

Duas semanas depois, foi a vez de a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) se posicionar oficialmente a respeito do tema:

"Acompanhando as recentes discussões sobre o uso da ivermectina, a EMA revisou a evidência publicada a partir de estudos em laboratório, estudos observacionais, testes clínicos e meta-análises [...] A maioria dos trabalhos que revisamos foram pequenos e apresentam uma série de limitações, incluindo diferentes regimes de doses e o uso de outras medicações. Com isso, concluímos que a evidência disponível até o momento não é suficiente para indicar o uso da ivermectina contra a covid-19".

No dia 31 de março, a OMS também divulgou o seu parecer sobre a discussão:

"A evidência atual sobre o uso da ivermectina para tratar a covid-19 é inconclusiva. Enquanto não possuímos mais informações, a OMS recomenda que essa droga só seja utilizada em estudos clínicos. Essa recomendação se aplica a todos os graus da doença e passa a fazer parte de nossas diretrizes de tratamento".

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia publicado a sua avaliação sobre a questão em julho de 2020, também refutando o uso da medicação para conter a pandemia.

Efeitos futuros (e imediatos)

O descompasso e a desinformação sobre a ivermectina e outros remédios usados indiscriminadamente nos últimos meses já apresentam efeitos adversos palpáveis.

Numa reportagem da BBC News Brasil do dia 23 de março, diretores de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de hospitais de referência no Brasil afirmam que a promoção kit-covid contribuiu para aumentar as mortes no país.

Outra matéria, publicada no mesmo dia no jornal O Estado de S. Paulo, mostra que o tratamento precoce causou graves problemas no fígado e fez com que muitos pacientes precisassem ir para a fila de transplante.

"Infelizmente, mais casos como esses serão registrados. O que vemos é uma overdose de ivermectina que sobrecarrega o fígado e pode provocar sérios problemas", observa Lobo.

O uso do fármaco sem acompanhamento e em doses exageradas também está relacionado a casos de diarreia, tontura, dor de cabeça, náusea, intoxicações renais e até hepatite medicamentosa.

Um dos argumentos mais usados por adeptos do remédio como tratamento da covid-19 é a experiência pessoal: muitos dizem que tiveram a doença e se recuperaram após tomarem esses comprimidos.

"A questão é que mais de 95% dos infectados vão ter uma cura espontânea, independentemente se fizerem um tratamento ou apenas ficarem em repouso", responde Molento.

"Eu também posso dizer que peguei covid-19, subi no telhado da minha casa, tomei duas xícaras de café olhando para o Sul e me curei", compara.

É óbvio que não há validade científica nesse tipo de relato e ninguém deve tentar repetir essa e outras 'experiências' em casa.

"Nossa população está passando por testes toxicológicos de forma voluntária. As pessoas estão se intoxicando como animais de laboratório sob o pretexto de uma promessa de cura, sem que exista qualquer evidência científica sobre isso", completa o especialista.

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Demora no diagnóstico de endometriose trouxe sequelas permanentes a jovem - VivaBem

Com 11 anos recém-completados, Gilcelli Carvalho Castro Rocha, hoje com 32, tomou um susto ao perceber a mancha vermelha na sua calcinha. Tinha menstruado e, de quebra, ganhou dores fortíssimas na região do abdome, as cólicas que a acompanharia por muitos anos.

"É normal, mulher sofre mesmo, não ligue muito porque todo mês é assim", foi o que ouviu das mulheres da família. Nos prontos-socorros, as falas se repetiam.

Ela não só não entendia bem o que tinha acontecido, mas sentiu como se fosse forçada a pular de fase na vida. "Era como se tivesse que sair da infância. Como meus pais trabalhavam muito, ficava com a minha avó de idade, que não conversava comigo sobre esse tipo de assunto", lembra.

Três anos se passaram e as dores e os sangramentos só aumentaram. Ao procurar um ginecologista, começou a tomar pílula anticoncepcional com a promessa de que o remédio diminuiria o sofrimento. "Tentei tantos tipos diferentes que não conseguiria listar. Todos me deram algum efeito colateral —dor de cabeça, tontura, náusea", lembra.

Quando já era mais velha, a dor também era muito forte durante as relações sexuais com o marido, mas os exames pedidos pelos médicos não indicaram nenhuma alteração. Ouviu que provavelmente era algo psicológico, como o vaginismo.

Nenhuma equipe médica suspeitou que a jovem sofresse de endometriose, uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial (conteúdo da menstruação) fora da camada interna do útero, local onde deveria estar, e chega em partes como abdome, ovários, bexiga e intestino, causando diferentes problemas de saúde.

Se não for tratada, como o caso da jovem, a endometriose pode se tornar profunda. "É a forma mais grave da doença, quando o tecido se torna infiltrativo, com mais de 5 milímetros de profundidade. É o tipo do quadro que causa dores muito fortes", explica Maurício Abrão, professor da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e chefe de ginecologia da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Sintomas se intensificaram com os anos

Aos 18 anos, Gilcelli engravidou e teve um aborto espontâneo. "Sofri muito, precisei de curetagem (procedimento para retirar os restos placentários) e os médicos não foram capazes de explicar a razão do aborto."

Mais dois anos de sintomas fortes se passaram até que ela engravidou de novo. A gestação vingou, mas não sem muita luta. Ela passou cinco meses internada, teve hidronefrose (dilatação das vias excretoras) nos dois rins, infecção urinária repetitiva e um parto prematuro —a bebê nasceu com sete meses.

Para cuidar da pequena, que precisava de muita atenção, a mãe abriu mão da graduação de direito no quinto semestre e vivia à base de analgésicos para que as dores não atrapalhassem a rotina com a filha.

Por medo que a história se repetisse, procurou a opinião de diferentes ginecologistas e passou por um hospital de referência em Brasília, mas continuou sem diagnóstico. Aos 24, engravidou de novo e teve as mesmas complicações —dessa vez, com a diferença de passar por várias internações longas e de já ter uma criança pequena que demandava sua atenção o tempo todo.

Em seguida, a dor constante fez com que, entre novas baterias de exames, os médicos encontrassem um cisto no ovário direito.

Gilcelli ouviu que não era necessário operar. Passou um ano com dores incapacitantes até receber um novo diagnóstico, o de um cisto hemorrágico e passou por uma cirurgia de urgência. Com hemorragia interna, passou 45 dias na UTI —tiraram o apêndice, a vesícula, um pedaço do intestino e uma úlcera no estomago.

Na sua lista de complicações, entraram ainda uma neuropatia —danos nos nervos— que prejudicaram os movimentos das pernas, dos braços e úlceras de decúbito (feridas na cabeça por ter passado muito tempo deitada).

"Pela demora no diagnóstico, a endometriose fez muito estrago no meu corpo. Também sofri por erros médicos e, no fim, precisei passar por várias abordagens cirúrgicas na tentativa de salvar a minha vida. Acordar e ver a mim mesma toda mutilada, com crianças para cuidar em casa, foi horrível. Mas ainda me senti grata pela minha vida", lembra.

Por que a endometriose é tão difícil de diagnosticar?

Os exames de rotina, muitas vezes pedidos quando pacientes como Gilcelli reclamam de dores, como o ultrassom comum e a ressonância pélvica, não são especializados.

Como a doença infiltra-se nos órgãos, mas não interfere na sua anatomia macroscópica, como acontece com outros quadros, como pólipos e cistos, os testes não conseguem localizá-la.

"Por isso é tão importante que a população conheça os sintomas e procure um profissional especializado, já que alguém sem o conhecimento necessário pode deixar para trás algum foco da doença, que muitas vezes se esconde atrás do tecido que reveste a região abdominal", aponta Abrão.

Há pouco tempo, acreditava-se que só era possível detectar a doença por laparoscopia diagnóstica, uma pequena cirurgia. Mas hoje, conforme explica Abrão, há a opção da ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, exame considerado mais simples.

Principais sinais da endometriose:

  • Amnorreia (falta de menstruação);
  • Dor para urinar e evacuar durante a menstruação;
  • Cólicas muito fortes
  • Dificuldade para engravidar;
  • Dor na relação sexual.

Qualidade de vida de Gilcelli foi prejudicada

Gilcelli só recebeu o diagnóstico no ano passado, aos 31 anos. Como os focos de endometriose se espalharam por falta de controle da doença, ela desenvolveu diversos problemas de saúde, como as crises citadas acima, e hoje vive com limitações.

Após o longo período na UTI, precisou reaprender a comer e falar, e fez sessões de fisioterapia por um ano e meio para conseguir andar sozinha. O quadro ficou tão grave que ela hoje convive com a chamada "pelve congelada", que ocorre quando as aderências pélvicas, faixas de tecido que se formam entre os órgãos, se alojam na pelve. Com isso, os órgãos perdem sua mobilidade.

Além disso, Gilcelli tem uma hérnia de 20 centímetros, causando uma abertura no abdome (espécie de cicatriz), que não é mais possível reparar porque o intestino aderiu à ela. Não posso pegar pesos maiores que dois quilos e, se como carne vermelha, açúcar ou glúten passo mal", conta.

"Mantenho minha fé que, com estudos, alguma equipe médica será capaz de devolver minha qualidade de vida."

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Monday, April 26, 2021

Atriz toma remédio para emagrecer, mas jura que perda de peso é através de reeducação alimentar - Jornal O Dia

Coluna da Fabia Oliveira - Foto: Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Coluna da Fabia Oliveira - Foto: Daniel Castelo Branco / Agência O DiaDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Por O Dia

Uma atriz ex-Globo, que atualmente está na Record, anda dizendo por aí que seu emagrecimento tem sido natural, através de reeducação alimentar e exercícios físicos. Só que a coluna descobriu que o método 'natural' adotado pela moça é um certo remedinho que vem circulando na casa dela e que tem sido utilizado, inclusive, pelo marido da artista. Todo mundo secando de 'forma natural' em casa! Nas entrevistas que costuma dar para sites e revistas, a atriz vem falando desse seu novo modelo saudável de vida, mas sem citar, é claro, o nome do santo remédio.

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Sunday, April 25, 2021

Homem perde 121kg durante a pandemia só com dieta e exercícios físicos - Extra

Disciplina, determinação e autocontrole foram as palavras-chave na rotina do economista Sergio Telles, de 43 anos, para perder incríveis 121kg durante a pandemia. Pesando mais de 200kg em março de 2020, período em que começou o isolamento social foi adotado, ele transformou os corredores de casa numa pista de caminhadas e elaborou uma reeducação alimentar para deixar de fazer parte do grupo de comorbidades da doença.

Após se recuperar de cirurgia para retirada da vesícula em janeiro do ano passado, Sergio, morador de Laranjeiras, Zona Sul do Rio, decidiu colocar como meta a perda de peso com reeducação alimentar, iniciada durante a recuperação no hospital. Desde então, a disciplina nas refeições e a persistência com os exercícios entraram de vez na rotina do economista, que estendeu tatames pelos corredores da casa para caminhar sem incomodar os vizinhos:

— Tenho feito de forma bem sistemática, sem o “dia do lixo”. Cada pessoa tem uma fórmula. Como eu tenho sido muito rigoroso, os resultados são bem consistentes. Em um ano, perdi 121 kg — conta.

Apesar de ter estipulado a meta de perder 100kg, Sergio foi além e, em fevereiro, o peso estava em 79kg. Com a rotina rigorosa, o resultado veio rápido: perdeu, em média, de 7 a 8 kg por semana.

Sergio continua com o processo de emagrecimento para perder nível de gordura suficiente, conseguir realizar a lipoaspiração e retirar o excesso de pele. Enquanto isso, o economista aproveita os benefícios da perda de peso, como maior disposição para realizar atividades no dia-a-dia, melhora na qualidade do sono e redução drástica de dores de coluna e intestinais, constantes antes da nova rotina. Para os iniciantes na jornada, ele dá dicas valiosas de quem viveu na pele:

— O primeiro passo é manter a saúde mental em dia, porque não adianta cuidar do corpo antes de cuidar da mente. Outra questão importante é fazer um check-up médico antes, porque não são todos que podem fazer qualquer atividade física. Também tem que procurar uma nutricionista e pensar em formas gostosas de cozinhar, para sair do óbvio — indica Sergio.

Sergio veste calça que usava há um ano.
Sergio veste calça que usava há um ano. Foto: Arquivo pessoal

Luta para perder peso vira projeto de conscientização

A revolução que Sergio promoveu em sua saúde nos meses da pandemia incentivou seus amigos a se movimentarem dentro de casa, com alimentação regrada. Foi daí que surgiu o projeto Geração Saúde Mental. Junto a outros dois amigos, o objetivo do economista é compartilhar sua jornada no emagrecimento com outras pessoas nas redes sociais, com o foco principal para atingir metas e cultivar a saúde mental.

— Os pilares do projeto são planejar o futuro, cuidar da saúde mental e física. Se não fizerem isso, vão ter uma velhice suprimida ou uma velhice muito ruim, seja por doenças físicas quanto mentais — explica Sergio.

O perfil foi construído para apresentar explicações sobre como manter o corpo e a mente em ordem, tanto pela alimentação quanto pela procura profissional, e também conhecimentos de educação financeira, sua área de atuação.

O projeto também propõe mais uma meta: quando o perfil no Instagram atingir 3.500 seguidores, o economista vai doar o equivalente ao peso perdido em quilos de alimentos para a iniciativa Ação da Cidadania, que auxilia pessoas em situação de fome com cestas básicas.

*Estagiária sob supervisão de Gleriston Barbosa

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Hostel oferece banho e pernoite grátis a profissionais de saúde em São João del-Rei | Notícias Sou BH - Sou BH

Ansiedade: como se manifesta, quando buscar ajuda e dicas para o dia a dia - Vogue Brasil

Ansiedade (Foto: Anthony Tran/ Unsplash)

Quando a ansiedade está fora de controle é hora de buscar ajuda profissional (Foto: Anthony Tran/ Unsplash)

Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil é o país mais ansioso do mundo e o quinto mais depressivo. Por isso, é cada vez mais comum descobrir que alguém que você conheça sofra de ansiedade excessiva (ou você mesmo).

Os tempos atuais, em que vivemos praticamente todos os dias em um turbilhão de emoções, não ajudam muito, mas, saiba, que é possível prevenir crises e ter qualidade de vida. Para saber tudo sobre o assunto, falamos com duas experts em ansiedade: a psiquiatra Elka Oliveira, do Art Beauty Center, e a terapeuta corporal Daniela Cruz, do Kurma Spa. Veja abaixo!   

O que é ansiedade?

"A ansiedade é uma resposta temporária, natural e completamente normal do corpo a situações que causam muito estresse", explica Daniela. Por isso, é um sentimento que está sempre presente nos processos de mudança e novas experiências na vida do ser humano. "Inclusive, sendo útil na preservação da espécie, pois sinaliza sobre como agir diante de uma nova situação ou de um perigo iminente", diz a terapeuta corporal. 

+ Meditação: tudo o que você precisa saber para começar a praticar

Existe um nível de ansiedade bom para a saúde?

A ansiedade nos prepara para enfrentar diversas situações na vida. "Ela usa recursos internos para que a pessoa tenha um bom desempenho diante delas. Então, podemos definir que a baixa ansiedade não prepara a pessoa suficientemente para que tenha bons resultados quando necessário. Em excesso, prejudica essa performance. Então, é um grau equilibrado de ansiedade é bom para a saúde, pois deixa a pessoa preparada para enfrentar as situações, mas sem correr riscos", explica Elka.

Daniela alerta, ainda, que a ansiedade possibilita ao indivíduo um estado de maior atenção para poder mapear critérios adequados na hora da defesa. "Um nível considerado bom para a saúde é quando a ansiedade impulsiona a pessoa e não quando a paralisa", afirma.

+ Ansiedade na nova era: a importância do ser no agora

Quais são os sintomas de uma crise de ansiedade?

Geralmente, a ansiedade quando está fora de controle, vem acompanhada de sintomas psicológicos e físicos. São estes:

Sintomas psicológicos: medo, preocupação demasiada (especialmente com o futuro), apreensão, angústia, dificuldade de se concentrar e não conseguir relaxar. "A pessoa tem a sensação de estar no limite", explica Elka. A psiquiatra explica que podem ser considerados sintomas de ansiedade, "aqueles pensamentos em que tudo de ruim pode acontecer, inclusive com doenças, ou que algo ruim irá acontecer a qualquer momento".

Sintomas físicos: os principais interferem na respiração, como a falta de ar ou a hiperventilação. Dor no peito e taquicardia (coração acelerado) também. "Algumas pessoas suam em excesso, apresentam formigamento, tremores e tensão muscular. Podem ter, ainda, ondas de calor ou calafrios. Dor no estômago também se faz presente. Podemos enumerar a sensação de desmaio e a tontura também", detalha a médica.

+ Testamos 5 terapias alternativas para te ajudar a relaxar e mudar seus hábitos

Como saber se a ansiedade está prejudicando minha vida?

"É preciso se atentar à intensidade e com que regularidade os episódios estão acontecendo. Além disso, o que pode estar sendo gatilho para esses momentos e de que forma isso vem interferindo no dia a dia ou rotina da pessoa", diz Daniela. Vale ressaltar que a ansiedade negativa é aquela que paralisa, trazendo prejuízos e não levando a uma preparação para lidar com situações novas ou ameaçadoras.

Além disso, Elka alerta que se a ansiedade está muito intensa a ponto de trazer sofrimento ou impedir a realização de tarefas, ela está num nível patológico e deve ser tratada.

+ Depressão e tristeza: os impasses da pandemia na saúde mental

Ansiedade (Foto: Steven Klein)

Crises de ansiedade podem desencadear sintomas físicos e psicológicos (Foto: Steven Klein)

O que pode causar crise de ansiedade? 

A crise de ansiedade é quando os sintomas se manifestam de forma muito intensa, como um conjunto: taquicardia, aperto no peito, respiração irregular e tremor no corpo. E as causas variam de cada um. "Podem ser gatilhos situações traumáticas ou estressantes. Nesse momento, a pandemia, o distanciamento, o confinamento e o medo de contaminação podem ser gatilhos", explica Elka.

Daniela explica que as crises também podem aparecer por desequilíbrios químicos do cérebro, além de questões familiares, de relacionamentos, dificuldades financeiras ou no trabalho e também por uma mistura de fatores. "Além disso, é possível que uma pessoa com a condição manifeste crises por causa de gatilhos específicos, como consumo de cafeína, álcool, cigarro ou drogas. Além dos fatores já mencionados, insônia, estresse, sedentarismo e falta de lazer estão entre os itens que podem deflagrar as manifestações do transtorno", conta.

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Quais são os tipos de crises de ansiedade?

Existem alguns subtipos de transtorno de ansiedade. Os mais frequentes são:

- Transtorno do Pânico
- Fobia Social (quando a pessoa se sente intimidada, tem medo de ser julgada pelo próximo)
- Fobias específicas (medo de coisas e ou situações específicas como de animais, dentistas, sangue, altura, voo, entre outros)
- Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)
- Transtorno de Estresse Pós-Traumático
- Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

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Crise de ansiedade e de pânico são a mesma coisa? 

"Não, são bem diferentes. Na crise de ansiedade as causas podem ser reconhecidas e você pode ter uma previsão de quando vai começar, pois a pessoa vai passar por aquela situação que pode ser estressante. Mas no pânico, não. Ela pode estar numa situação que julga confortável e o ataque de pânico acontecer inesperadamente", explica Elka.

Daniela afirma também que a síndrome do pânico pode ser considerada um tipo de transtorno de ansiedade. "Tem relação com episódios inesperados de medo, gerados por algum tipo de gatilho. A pessoa não se sente segura, o que a leva ao desespero, sem necessariamente haver um risco real", diz. Os sinais podem ser físicos e psicológicos e prejudicam a continuidade das atividades normais de quem sofre com essa situação. Além da preocupação extra com a possibilidade de uma crise a qualquer momento.

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Qual a relação da ansiedade com a depressão?

"A depressão e a ansiedade estão associadas com o equilíbrio e a modulação dos sistemas de serotonina e noradrenalina. A literatura sugere que a noradrenalina inicia uma série de eventos em cascata, que se manifestam como estados de ansiedade no início e evoluem, progressivamente, para estados depressivos", explica a pisquiatra.

Segundo Elka, o ansioso de hoje, não tratado ou tratado de forma incorreta, será o deprimido de amanhã. "Vale ressaltar que na psiquiatria, a comorbidade é mais regra que exceção e que depressão e ansiedade frequentemente aparecem associadas. Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil é o país mais ansioso do mundo e o quinto mais depressivo", revela.

Já Daniela explica que, de uma maneira geral, a ansiedade está mais relacionada ao sentimento de medo e preocupação excessiva, enquanto a depressão está ligada ao sentimento de tristeza profunda, falta de prazer pela vida. "Essa tristeza acarreta diversas outras questões, como menos ânimo para atividades cotidianas e sensação de incapacidade. Pensamentos negativos constantes, que podem gerar culpa e baixa autoestima", explica.

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Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico dependerá do tipo de ansiedade, segundo Elka. A psiquiatra explica que tratam-se de diagnósticos clínicos, ou seja, feitos através de uma conversa detalhada com o médico, que se baseiam em critérios pré-estabelecidos para realizar os diagnósticos. "Até o momento, não existe nenhum exame, de sangue ou de imagem, que diagnostique a ansiedade", afirma.

"Em alguns casos, também pode haver a necessidade de uma possível análise física através de exames, isso para descartar que qualquer outro tipo de problema esteja interferindo no diagnóstico", completa Daniela.

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Tratamento

Os tratamentos para transtornos de ansiedade podem ser farmacológicos ou psicoterápicos. "Os profissionais que podem ajudar muito são: o psicólogo e o médico psiquiatra. De um modo geral, o psicólogo fará a psicoterapia e o psiquiatra prescreverá as medicações. Esses profissionais de saúde mental farão uma avaliação diagnóstica precisa, para assim definir o melhor tratamento", afirma Daniela.

"Com relação à abordagem farmacológica, temos, como principais estratégias, os antidepressivos e os benzodiazepínicos. Os benzodiazepínicos devem ser utilizados, quando necessário, apenas na fase inicial do tratamento. Já os antidepressivos devem ser utilizados a longo prazo", explica Elka. Além de medicação e terapia, atividades física, meditação e outras terapias alternativas podem ajudar a amenizar os sintomas.

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Ansiedade no dia a dia

É possível controlar os níveis de ansiedade no dia a dia, mas Elka sugere que, para isso, as pessoas "desliguem o automático e tentem vier o momento presente de forma plena".  Realizar uma atividade por vez e tentem se conectar ao máximo a cada situação em que está vivenciando pode ser uma boa. "Refiro-me à coisas simples como escovar os dentes e observar o caminho por onde passa diariamente até a execução de tarefas mais complexas como as profissionais ou acadêmicas", diz a psiquiatra.

A respiração diafragmática, meditação, atividade física, contato com ambientes verde-azul, alimentação, momentos de descanso e o planejamento também são importantes no controle da ansiedade, segundo a médica. "Para quem não conhece, a respiração diafragmática é aquela em que inspiramos profundamente, tentando distender o abdômen, seguramos por alguns segundos e depois expiramos lentamente, relaxando o abdômen", ensina.

Daniela dá ainda mais dicas para manter a saúde mental em dia e evitar crises de ansiedade:

- Busque uma alimentação variada e colorida, evite alimentos processados ou com aditivos químicos. Evite o consumo de cafeína, bebidas alcoólicas e cigarro.

- Movimente-se, faça atividades físicas e procure meditar.

- Respire profundamente e com consciência.

- Tenha um sono restaurador em tempo e qualidade.

- Faça automassagem e escalda pés.

- Passe mais tempo com pessoas que te incentivam a melhorar e proporcionam momentos de distração.

- Estabeleça ou busque separar um tempo para fazer atividades prazerosas.

- Invista no seu autoconhecimento: aprender a lidar com a ansiedade é uma forma importante para conseguir ter melhores resultados em todos os fatores da vida.

"Ao praticar o autocuidado, a produção de várias substâncias no nosso organismo são estimuladas, entre elas a ocitocina. Ela pode ajudar a reduzir o medo e a ansiedade, e também a neutralizar o cortisol, hormônio associado ao estresse", finaliza.

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Fora das telas, Glenn Close luta contra estigma de doentes mentais - CNN Brasil

A atriz vencedora do Tony, do Emmy e do Globo de Ouro tem um projeto para consci
A atriz vencedora do Tony, do Emmy e do Globo de Ouro tem um projeto para conscientizar as pessoas sobre as doenças mentais
Foto: Getty Images

Glenn Close vai concorrer ao Oscar neste domingo ( 25) por seu papel no filme Era uma vez um sonho (Hillbilly Eleg, no original). Mas, na vida real, a atriz vencedora do Tony, do Emmy e do Globo de Ouro está ocupada procurando conscientizar as pessoas sobre as doenças mentais

Para ela, o assunto é pessoal. “A maioria das famílias está lidando com algum problema de saúde mental”, disse Close à CNN. "Quando minha irmã Jess veio até mim e disse: 'Preciso de ajuda porque não consigo parar de pensar em me matar', foi como um raio."

 Aos 50 anos, sua irmã Jessie foi diagnosticada com transtorno bipolar. Antes disso, o filho de Jessie e sobrinho de Close foi diagnosticado com transtorno esquizoafetivo (Condição de saúde mental que inclui sintomas de esquizofrenia e de transtorno de humor), em 2001.

"Quando olho para trás, vejo alguns traços do sofrimento mental de Jessie quando ela era muito jovem", disse Close. "Ela esfregava os dedos quando estava ansiosa até que ficasse dolorido, às vezes, sangrando. Isso poderia ser um grande sinal de alerta."

A atriz disse que, quando eram pequenas, “não havia vocabulário para isso" porque simplesmente não era algo a ser tratado. À medida que começou a aprender mais sobre o doloroso estigma que carregam as pessoas com transtornos mentais, Close assumiu como uma missão pessoal lutar para acabar com os preconceitos contra as pessoas que sofrem desse problema. 

Projeto em escolas e comunidades

Em 2009, ela abriu uma organização sem fins lucrativos junto com sua irmã Jessie e seu sobrinho Calen chamada Bring Change to Mind, que defende a conscientização e o apoio à saúde mental em escolas e comunidades.

Com o objetivo de fomentar a compreensão e a empatia, o grupo cria campanhas multimídia e desenvolve programas para estimular nos jovens um diálogo cultural diversificado em torno da saúde mental. "É uma doença crônica", disse Close. "Não é quem você é. É algo relacionado a esse cérebro incrível, maravilhoso e frágil que temos, é parte do que é ser humano."

De acordo com a National Alliance on Mental Illness, organização fundada por familiares de pessoas com doenças mentais, um em cada cinco adultos descobre que sofre de doença mental todos os anos, e uma a cada seis crianças de 6 a 17 anos sofre de algum transtorno mental.

A Bring Change to Mind criou clubes em escolas de ensino médio em todo o país nos quais os alunos têm autonomia para falar sobre questões emocionais e sociais, além de todo tipo de assunto relacionado diretamente à saúde mental. Os clubes oferecem um espaço livre de estigma, onde os jovens podem falar sobre o que estão enfrentando e oferecer apoio uns aos outros.

Pandemia x saúde mental

"Agora, especialmente", disse a atriz ao fazer referência à pandemia, "que nossa saúde mental está sob tanto estresse, é preciso encontrar algo que nos conecte de fato Essa necessidade de cuidar dos nossos cérebros nos torna humanos". De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, a pandemia também está associada a desafios de saúde mental.

Os sintomas de transtorno de ansiedade e transtorno depressivo aumentaram consideravelmente nos Estados Unidos entre abril e junho de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019, disse a agência americana.

Durante a pandemia, a Bring Change to Mind não baixou a guarda e continuou realizando reuniões, dessa vez, pelo Zoom. Close disse que compareceu a várias delas. "As crianças são incríveis. Elas falam tão abertamente. Isso realmente promove um senso de comunidade, mesmo que elas estejam em diferentes lugares do país."

Indicada ao prêmio de melhor atriz coadjuvante, Close estará mais uma vez em destaque. Mas, para ela, mais importante do que o reconhecimento de seus pares é o reconhecimento da crise de saúde mental pela qual passamos, e a luta para acabar com o estigma que muitas vezes está associado às doenças mentais. 

"Lembro-me de quando era pequena, 'câncer' era uma palavra terrível. Se você tinha câncer, tinha um grande estigma estampado na testa", disse Close. "Agora, acho que a saúde mental precisa da mesma normalização. Precisamos falar sobre nossa saúde mental com a mesma facilidade com que falamos sobre nossa saúde física. E precisamos conseguir financiamento em todos os níveis."

(Texto traduzido. Leia o original, em inglês)

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